Archive for September, 2010

17 de setembro de 2010

Saturday, September 18th, 2010
Hoje estou fazendo 54 anos. Faz exatamente 10 anos que iniciei minha carreira internacional. Foi um tiro no escuro. Neste mesmo dia,  10 anos atrás, estava no meu primeiro emprego fora do Brasil. Foi em Trieste, na Itália, trabalhando para um projeto da ONU, para a América Latina, chamado de “Prospectiva Tecnológica”.  Foi um início de uma vida que me que me levou a conhecer dezenas de países, conhecer muitas pessoas e ter experiências incríveis.
Naquela época, na Itália, estava no maior baixo astral, longe da família e dos amigos, sentindo muito o fato de estar só, num lugar onde não conhecia nínguém.
Hoje, devo dizer que o sentimento não é diferente. Trabalhando em Abuja, na Nigéria, continuo longe de todos os que mais gosto. Os amigos são poucos. Mas os presentes que a vida está me dando são lindos, filhos e netos, e o neto mais novo chega em novembro.
Como presente e aniversário resolvi jantar num restaurante chamado “Obuja Grill”, onde a carne estava excelente, que me perdoem os vegetarianos. Conversando com os garçons descobri que a carne vem da África do Sul, e a cerveja, a famosa “Guinness”, direto do Reino Unido. Para completar ouvi, para minha surpresa, “Garota de Ipanema”, executado ao vivo pelo ótimo pianista  do restaurante.
Só posso agradecer e esperar a volta ao Brasil, em novembro, se tudo der certo, para curtir a  família.
Obs.:  A postagem esta sendo publicada no dia 18 de setembro devido a problemas de acesso à Internet.

11 de setembro de 2010

Saturday, September 11th, 2010
No dia 11 de setembro de 2001 estava participando de um Workshop sobre Desenvolvimento Social com professores e cientistas de diversos países, num hotel  italiano, perto de Trieste, onde morava e trabalhava para uma organização da ONU.
A notícia sobre o ataque nos EUA veio rapidamente e fomos todos ver o que estava acontecendo assistindo ao noticiário da rede CNN, na TV instalada no saguão do hotel. Depois de algum tempo voltamos ao Workshop e tudo seguiu como se nada tivesse acontecido. Acho que ninguém, naquele momento, tinha clareza sobre o que aconteceria seguir.
Hoje, 9 anos depois, estou em Abuja, na Nigéria, trabalhando para a ONU, vejo que ainda sofremos o impacto do que aconteceu quase dez anos atrás. A Nigéria é metade cristã e metade muçulmana  (ou 60% cristã  e 40% muçulmana , ou 40% cristã e 60% muçulmana , “depende do ponto de vista”, comentou comigo outro dia um nigeriano, Diretor da Comissão Eleitoral).
Até agora tudo bem. Parece-me que  a maneira  na qual os africanos enxergam a questão da religião é muito mais aberta e inteligente que em muitos países, incluindo os “desenvolvidos”.
No fundo, é uma questão de sobrevivência e de fé. Todos nós queremos um mundo melhor, mais pacífico e humano. O respeito à vida, à religião, à saúde, à alimentação, à informação, ao respeito à liberdade são parte dos direitos básicos de todo ser humano.
O problema central é sempre a questão de poder, do poder econômico, do uso da força e da manipulação da informação como expressão deste poder, e de fazer valer as várias verdades e as mesmas mentiras.
Apesar de tudo o que vi e vivi durante estes nove anos, ainda tenho fé no ser humano.