Archive for November, 2010

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Friday, November 26th, 2010

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Reunião com Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Depois de três meses na África, vivendo em Abuja, na Nigéria, cheguei em São Paulo.  Foram três meses cheios de desafios e novidades, normal quando se chega a um novo lugar para trabalhar e viver.

África é  um lugar que eu queria muito conhecer. Este ano tive a possibilidade de trabalhar no Malawi e na Nigéria. São dois países distintos em praticamente tudo, clima, riqueza, e população.  Gostei mais do Malawi, que por alguma razão não muito clara para mim, me fez lembrar mais no Brasil – empatia!

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Minha última atividade profissional em Abuja foi uma reunião com o Honorable Chairman Professor Attahiru Jega, que comanda a poderosa Comissão Eleitoral, o “INEC – Independent Electoral Commission”.
Foi uma reunião muito interessante onde tive a oportunidade de relatar o meu trabalho e entregar o meu relatório final. Missão cumprida, ufa!

No dia seguinte peguei o avião para Amsterdam, e de lá, outro para São Paulo. Passei três dias em Amsterdam. O clima já estava completamente diferente de quando passei por lá, indo para a Nigéria. Tempo frio, amanhecendo tarde e anoitecendo cedo – dias curtos, mas o suficiente para eu comprar alguns presentes para as crianças e passear no “The Rijksmuseum”, um museu que eu gosto muito.
Museu  e Gnomos
Tem um quadro em especial, que eu já vi, seguramente, algumas dezenas de vezes. Tem um detalhe que me chama a atenção, e sempre vou lá para conferir, ver se é verdade, se existe mesmo. É um gnomo escondido numa floresta. Não sou de ver gnomos, aliás, este é o primeiro e único que vi, mas ele está lá. Quem tiver paciência também vai ver. O artista se chama Jan Both, e o quadro é o “Italian Landscape with Draughtsman”. Além do meu quadro favorito, foi interessante ver  a exposição especial “Rembrandt & Jan Six. An Amsterdam friendship”.

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman"

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman" e o gnomo

Bom, Amsterdam resumiu-se a passeios, caminhadas, muito frio, queijos, cafés, chás, compras, e o mais lindo de tudo, observar as pessoas e a cidade, sempre cheia de turistas de todas a partes do mundo, uma cidade com uma população mesclada e colorida e com uma língua difícil de entender.

Fotos: Paulo Siqueira

Hajj, táxis, bombas e custo de vida em Abuja

Tuesday, November 16th, 2010
Nigeriano e Muçulmano

Nigeriano e Muçulmano

Hajj ou Hadj

Hoje é feriado na Nigéria. É um feriado religioso muçulmano, o Hajj, que celebra a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Vila Turística

Vila Turística

Depois do sofrimento da malária, aproveitei o feriado e fui fazer uma compras na vila turística, que fica a bem perto do hotel. Fui caminhando, mas o calor e o sol estavam de matar. Quase me arrempendi, mas foi bem interessante.

Nigeriano na Vila Turística

Nigeriano na Vila Turística

Lagarto

Lagarto - "personagem" constante

Trabalho
Faz três meses que estou Abuja. O trabalho é complicado, mas até agora estou satisfeito com os resultados.
É uma ansiedade que fica quando você tem apenas três meses pela frente e muita coisa para fazer.
Estou trabalhando com a área de registro de eleitores, e a Nigéria é uma país imenso, com uma população de 150 milhões de pessoas e mais de 250 grupos étnicos.
O número de pessoas que vão se registrar é estimado em mais de 70 milhões. O registro está começando do zero, então é uma tarefa gigantesca.
Problemas sérios por aqui: AIDS, pobreza, energia, corrupção, conflitos étnicos e regionais, drogas e  os demais problemas que todo país pobre tem.

Bombas
O assunto aqui tem sido as bombas que explodiram no Dia da Independência, em primeiro de outubro. Nas explosões, 12 pessoas morreram.
Fiquei sabendo que um helicóptero que sobrevoava a região filmou um suspeito que estacionou o carro bomba. Esta pessoa pegou um táxi. Os serviços de segurança identificaram o motorista do táxi. Ele deixou o rapaz num hotel (foi onde fiquei quando cheguei aqui). O rapaz foi preso junto com outras pessoas, todos, segundo a imprensa local, aparentemente ligados a um grupo político da região petrolífera, o “The Movement For The Emancipation Of The Niger Delta (MEND)”.

Custo de vida
A vida em Abuja é bem cara e contrasta bastante coma pobreza do país.
O dinheiro aqui se chama naira. Um dólar vale 150 nairas, ou seja, um real mais ou menos 90 nairas.
Aqui  vão algumas informações:

  • Táxi  popular: 300-400 nairas (sempre negociados a cada corrida)
  • Táxi do hotel: 1.500 nairas
  • Entrada de cinema: 1.500 nairas
  • Pipoca + refrigerante: 1.100 nairas
  • Livro (pocket-book): 1.800 nairas
  • Refeição no restaurante local: 1.800 nairas
  • Refeição no hotel: de 4.000 a 6.000 nairas
  • Café da manhã no hotel: 3.500 nairas
  • Internet (USB): 10 mil nairas por 30 dias ou 5GB de dados.
  • Jornal: 150 nairas
  • Diária do hotel: um absurdo!

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Um capítulo especial – trânsito e táxis.

Os táxis me lembram os táxis do Timor Leste, tem a mesma qualidade, ou seja, todos bem detonados.
Acho quer o maior risco que tenho trabalhando aqui é quando ando de táxi. Sempre sento no banco traseiro e me preparo para o pior. Até o momento tudo certo e nenhum acidente, só alguns sustos.
A maioria dos táxis é pintada de verde e eles estão por todo lado.
Quando cheguei não acreditei na bagunça do trânsito, e mais que a bagunça, não acreditei na barulheira.
Era buzina para todo lado sem parar um segundo. Depois fui me acostumando.
Passei a entender melhor e descobri que tudo não passa de um código de trânsito não escrito.
Acho que a comunicação aqui evoluiu do som dos tambores para os som das buzinas dos carros.
Percebi que os motoristas se comunicam a todo instante através de buzinadas. Buzinam para os amigos, para os inimigos, para o carro andando, para o carro parado, para os guardas de trânsito, para os potenciais passageiros, para os vendedores de jornais, para o sinal de trânsito – aberto ou fechado -, para os vendedores de água nas esquinas, enfim, buzinam para tudo e para todos. É um buzinaço sem fim.
Do meu quarto no hotel cheguei a ficar estressado de tanto barulho que vinha do estacionamento. Agora, depois das bombas, os táxis não podem mais entrar no hotel.
A vida ficou mais silenciosa por aqui. Ainda bem!

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Fotos: Paulo Siqueira

Malária Nunca Mais!

Sunday, November 7th, 2010
Mosquito da Malária

Mosquito da Malária

Há exatos nove dias, comecei a sentir os efeitos da malária. Tinha acabado de voltar do ginásio onde tinha feito exercício. Ainda me lembro que naquele dia, um sábado, eu estava me sentindo muito bem e ainda dei uma puxada no treino.
Cheguei no quarto do hotel, tomei um bom banho de chuveiro, e antes de almoçar, resolvi dar uma olhada na Internet. Coisa de meia hora. Quando levantei da poltrona, senti uma tontura e dor no corpo todo. Achei que tinha exagerado no exercício e era melhor comer logo alguma coisa. Daí para frente, só piorei. Comecei a ter febre, sentir calafrios, dores no estômago.
A noite foi complicada, mas nem tanto. Passei um domingo bem mole, achando que tinha pegado alguma virose. Na segunda-feira pela manhã, não consegui mais tomar o café da manhã.  Fui na farmácia que fica dentro da área do hotel – “lá eles devem saber o que eu tenho, deve ser alguma coisa comum aqui”, pensei. Não precisou nem de um minuto de conversa para descobrir que tinha malária.
Comprei um remédio apropriado, à base de artemisinina, extraída de uma planta chinesa. Voltei para o quarto, para a cama, de onde quase não sai mais durante quatro dias.
Chamei o médico do hotel, um nigeriano, que confirmou o diagnóstico, não pediu exames nem nada. O interessante é que, pela postura e modo de falar, ele parecia mais um lorde inglês, ou uma ator shakesperiano. Recebi uma batelada de remédios e um antibiótico. Foi a última vez que o ví, espero!
Tenho que dizer que o pessoal do hotel foi muito bom comigo. Passavam pelo quarto várias vezes por dia para saber se precisa de alguma coisa. Teve um que veio até dar uma rezada.
Esgotei minha roupas, cuecas, camisetas e pijamas. Tudo ficou encharcado, molhado de suor. Na cama,  ficava de dia de uma lado, e à noite do outro, era muito suor. Sentia tudo encharcado. Tive de mandar a roupa para a lavanderia, situação emergencial. No final, fiquei só de cueca e nem me importava mais com quem entrava no quarto.
Depois do terceiro dia, tomando as medicações, percebi que comecei a melhorar. Hoje, nove dias depois, domingo, estou bem, mas estou dormindo umas 12 horas por dia, pelo menos.
Mapa da Malária no Mundo

Mapa da Malária no Mundo

Alguma informação sobre a Malária

A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos – fêmeas  sempre fatais!
O texto abaixo que extrai da Wikipidia mostra exatamente o que senti (http://pt.wikipedia.org/wiki/Malária).
“Estas crises, mais frequentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura até 39-40 °C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41 °C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes.”
Uma noite, olhei meu pé e parecia que via o sangue passando sob a pele, de tão transparente e vermelha. Confesso que naquela noite fiquei assustado.
Durante este tempo todo fiquei pensando sobre o que é a malária, que a gente sempre ouve muito e pouco sabe. Fiquei pensando como deve ser difícil para uma família sem acesso a médico e a medicamentos, ver os filhos doentes, sofrendo, podendo até morrer.
Abaixo mais algumas informações que extraí do site “Malaria Foundation International”.
  • Malária é a causa estimada de 300-500 milhões de casos clínicos, com um milhão de mortes por ano.
  • A cada 30 segundos, uma criança morre por causa da malária.
  • Nos hospitais africanos, 60% das internações são causadas pela malária.
Não faça prevenção por conta própria. Em caso de suspeita, procure atendimento médico!

Malaria No More

Malaria No More

Malária, espero, nunca mais!