Alegria, Tristeza, Futebol – Guiné-Bissau X Uganda

March 27th, 2011
Ontem, sábado, tive o prazer de assistir ao clássico do futebol africano, Guiné-Bissau X Uganda. O jogo, válido pela Copa Africana das Nações, foi no estádio Lino Vieira, que estava lotado.
O estádio lembra o de uma pequena cidade de interior de São Paulo ou Minas Gerais, pequeno e sem conforto.  Disseram-me que existe um novo estádio, construído pelos chineses, mas que, jogar lá dá azar. Então, o selecionado local não joga mais lá.
Paulo e Deryck

Paulo e Deryck

O interessante foi acompanhar a movimentação durante a semana. Outro dia, fui tomar café da manhã o hotel onde estou hospedado e deparei-me-e com uma longa mesa. Nela sentados, como  um batalhão militar, duas dúzias de jovens, vestidos com camisetas amarelas onde, nas costas, estava escrito Uganda Cranes.
Era a seleção de Uganda. Cranes, pelo que entendi, é uma espécie de pássaro. Sou obrigado a mencionar aqui, e comparando com o Brasil, a civilidade dos jovens jogadores, e também, com forma recebidos pela população em Bissau. Em nenhum momento ouvi qualquer comentário desagradável ou vi qualquer problema.
Na sexta-feira, compramos os ingressos e junto, um cachecol. Fiquei me imaginando usando o cachecol debaixo de um sol de mais de trinta graus.
No hotel, recebo um pedido do recepcionista que queria dinheiro para comprar um ingresso para o jogo. Encontrei com ele no estádio. Ele, feliz da vida, torcia muito.
Entrando em Campo

Entrando em Campo

O jogo começou às 16:30h, e o calor estava bravo. O motivo do jogo começar tão cedo, foi a luz solar e a falta de energia elétrica para um jogo noturno.
Fomos na arquibancada A, onde o preço do ingresso era de dez  mil francos guineenses (20 dólares). O ingresso popular custava três mil. Estádio cheio. Polícia para todo lado e, muitas borrachadas depois, o jogo começou. Força Djurtos, era o que estava escrito no meu cachecol. Djurto é um animal local, parecido com um chacal ou cachorro do mato. O o meu entendimento sobre o que é um Djurto foi resultado de uma longa discussão entre dois guineenses que não se entendiam sobre o que era o bicho.
Enfim, a festa, como sempre sempre acontece num jogo de futebol, foi a torcida. A poeira vermelha se espalhou para todo lados ao som dos tambores e o jogo começou.
Cadeirantes tem seu espaço

Cadeirantes tem seu espaço

Os Djurtos pedreram de 1X0, e perderam também um penalti. A torcida foi embora triste. Eu também, mas de certa forma também feliz com a minha primeira experiência ao assistir um jogo de futebol no continente africano.
O Torcedor

O Torcedor

Torcida

Torcida

Uganda - Comemorando o Gol

Uganda - Comemorando o Gol

O Penalti Perdido

O Penalti Perdido

Torcida

Torcida

Torcida

Torcida

Fotos: Paulo Siqueira

Arquipélago de Bolama-Bijagós, Paraíso na África

March 22nd, 2011
UNESCO, Reserva de Biosfera

UNESCO - Reserva de Biosfera

No fim de semana que passou viajei para o Arquipélago de Bolama-Bijagós, na Guiné-Bissau, que foi classificado pela UNESCO, em 1996, como Reserva de Biosfera.

Até então, não tinha saído de Bissau e estava bastante curioso sobre o que ia ver pela frente.

A viagem foi cheia de coincidências. Começou há alguns dias, quando não consegui ir porque não tinha lugar no hotel. Fiz então a reserva e consegui lugar para o fim de semana seguinte.

Tinha planejado ir de ferry, numa viagem de quatro horas. O Abbas, gerente do hotel me ligou e disse que teriam um barco mais rápido disponível. A viagem, apesar de mais cara, duraria apenas uma hora.

Avioneta

Paulo e a avioneta de seis lugares

Na sexta-feira, dia marcado para a partida, a dona do hotel, me ligou. Não vai mais ter o barco.

Preparei-me psicologicamente para as quatro horas no ferry. Bom, disse ela, mas vai ter uma “avioneta”, e você pode vir com ela, pagando o mesmo que o barco. Vibrei, a viagem seria de apenas 15 minutos.

No fim da tarde fui ao aeroporto esperar a “avioneta”. Esperei também pelos outros passageiros. Para a minha surpresa, apareceu um grupo de quatro brasileiros, dos quai eu já conhecia três. Foi uma festa.

Subimos no pequeno avião, e eu fui de copiloto. Foi interesante ver Bissau do alto, as ilhas do Arquipélago se aproximando.

O pouso

O pouso

O pouso foi numa pista que mais parecia uma mistura de pasto e uma estrada de terra. No nosso caminho, algumas cabras e pessoas que, rapidamente, abriram espaço para o pouso perfeito do pequeno avião. Parabéns ao nosso jovem piloto.

À caminho do barco

À caminho do barco

Chegamos à ilha de Bubaque. De lá, pegamos uma barco que nos aguardava e, depois de mais quinze minutos, chegamos ao paraíso. Ou melhor, ao Hotel Ponta Anchaca.

Fomos recebidos na praia pela simpática Solange, uma francesa que é proprietária do Hotel. A comida do restaurante do hotel, que fica num deck sobre o mar, é excelente, bem servida, simples, com bons pratos de peixes frescos e camarões. Estes mais pareciam lagostas, pelo tamanho e sabor.

O Hotel

O Hotel

Um Quarto do Hotel

Um Quarto do Hotel

O quartos são de muito bom gosto, e ficam na beira do mar. Espetacular!

Tomei muitos banhos de mar, dormi bastante, caminhei solitário pelas areias brancas da praia, vendo o sol se por atrás dos coqueiros.

Saudades da família!

Praias Lindas

Praias Lindas

Um único acidente. Uma amiga pisou numa arraia e foi picada no calcanhar. Depois do susto e alguma dor, tudo voltou ao normal.

O fim de semana passou voando e, no fim da tarde do domingo, também de “avioneta”, voltamos à realidade de Bissau.

Crianças em Bubaque

Crianças em Bubaque

A Canoa

A Canoa

Crianças na Pista de Pouso

Crianças na Pista de Pouso

Fotos: Paulo Siqueira

Bissau, Carnaval e Trabalho!

March 7th, 2011
Animal

Na casa de um amigo

Bissau, capital da Guiné-Bissau, na África, é uma cidade pequena, com pouco mais de 385 mil habitantes. Possui algumas ruas asfaltadas, mas a maioria é de terra, terra vermelha.
O pó vermelho está por todo lado, nos sapatos, nas casas, nos carros. Lembra a poeira do deserto.
Tudo muito seco e quente. Pela manhã e à noite, a temperatura é mais amena.
Andar pelas ruas ao sol do meia dia é bem desagradavél. Procuro logo uma sombra ou algum lugar com ar-condicionado para ficar.
Menina
Na rua
Avenida Principal
Avenida Principal
Igreja
Igreja
Porto
Porto
Aqui também tem Carnaval. No sábado e no domingo fui ver o desfile. É pobre e desorganizado, mas com alegria e muita participação da criançada. Passei boas horas observando as pessoas, o desfile, as fantasias, mascaras e a cidade.
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Trabalhei a semana toda, fui a diversas reuniões. Todos são muito simpáticos, não há problema de segurança, e caminhar pela cidade é uma boa opção. É necessário tomar cuidado ao fotografar. Muitos não gostam, e fotografar bancos, escritórios públicos e unidades do exército e da marinha é proibido.
Forte
Forte
Carnaval
Campanha – AIDS
A comida, portuguesa com certeza. Prato principal para todo lado – o Bitoque, faz a alegria dos famintos – arroz, ovo frito e bife, acompanhado sempre de batatas fritas.
Da janela do meu escritório, no quarto andar, me diverti assistindo um jogo de futebol feminino no campo da base naval. As jogadoras não se importavam com o calor. Eu, tranquilo no meu ar-condicionado, sofria por elas. Escolhi o time de camisas vermelhas para torcer.
Meu Hotel
Hotel onde estou hospedado
Futebol
Futebol Feminino
Carnaval
Futebol Feminino
Vou do hotel ao escritório em uma caminhada de poucos minutos. O cheiro de lixo e a sujeira estão por todo lado. O que tem de sacos plásticos por todo lado é incrível, acho esta uma das piores invenções da sociedade moderna. Crianças brincam nos montes de lixo que estão acumulados ruas e nas áreas sem construção.
Já encontrei vários brasileiros e portugueses. Inclusive alguns com quem trabalhei no Timor-Leste. Mundo pequeno este.
A língua é o português, nas ruas se fala o crioulo (mistura de português e língua local) e também o francês.
Na TV do hotel tenho acesso à Rede Record, a RTP África, CNN, Canal + (está com o cartão vencido)  e mais um canal de filmes. Nem sempre tudo funciona como deveria. Falta água e energia, e o barulho dos geradores estão por todo lado. A rede móvel é boa, assim como a Internet, com velocidade razoável, inclusive com 3G.
Já tive oportunidade de circular pela cidade, fui ver a Bissau velha, com seus casarões do tempo de colônia, a Fortaleza d’Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), a Igreja e o Palácio Presidencial semi-destruído pela guerra civil.
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Palácio
Palácio Presidencial
Futebol
Partido Político
Futebol
Guerra Civil
Pela cultura, Bissau podia ser o Brasil – de toda maneira, somos todos  irmãos na raça e no sangue.
Fotos: Paulo Siqueira

Em Lisboa, à Caminho do Continente Africano

March 3rd, 2011

Novamente na estrada e, mais uma vez, de volta ao continente africano.

Vou trabalhar por um mês na Guiné-Bissau. Estou muito curioso, pois é uma país de língua portuguesa. O segundo país de língua portuguesa, fora o Brasil, onde trabalho. O primeiro foi o Timor Leste.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Lindo dia

Ante de chegar a Bissau, capital da Guiné-Bissau, fiz uma escala técnica em Lisboa, Portugal. Cheguei por volta do meio-dia de um domingo. O avião para a África partia somente às 10 horas da noite.
Aproveitei para desfrutar algumas horas na linda capital portuguesa, e que, segundo um amigo português, é a mais linda cidade do mundo, depois do Rio de Janeiro.

Fonte

Caminhando por Lisboa - Fonte

Bom, a primeira preocupação ao passar pela imigração e sair no saguão do aeroporto, foi o almoço. Peguei um táxi e fui para a região de Alcântara, onde fica a Taberna Ideal.

A Taberna  foi recomendação de uma amigo português, um especialista em cozinha, o qual conheci, há alguns anos atrás, no Timor Leste. O amigo já tinha feito a reserva e o meu lugar estava garantido na pequena e simpática Taberna.

Rua da Taberna Ideal

Rua da Esperança, onde fica a Taberna Ideal

A indicação não podia ser melhor. Frequentada por famílias de portugueses. O único turista era eu.
A comida deliciosa, o preço justo, o vinho ótimo. Saboreei um atum grelhado com ervas e batatas. Tudo na medida certa.
A simpática Taberna tem várias opções e o menu fica na parede, onde é atualizado diariamente, dependendo do que está disponível no mercado.

Taberna Ideal

Taberna Ideal

Depois da boa refeição, uma caminhada pelo centro de Lisboa aproveitando o lindo dia e o céu azul. Um café e de volta ao aeroporto.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Grafite

Caminhando por Lisboa - Grafite

À noite, embarquei para Bissau, para um voo de quatro horas. Curioso por chegar, não senti o cansaço da viagem que começara no dia anterior, no aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Ao chegar a Bissau, ao passar pela imigração, paguei 85 euros pelo visto. Tudo certo, aguardei a minha bagagem junto à uma multidão de pessoas, passageiros, carregadores, militares, funcionários e uma freira brasileira, que mora já a quatorze anos na Guiné-Bissau. Ao sair do aeroporto, o motorista me aguardava com uma placa na mão onde estava escrito o meu nome.

Pelo caminho esburacado e escuro, cheguei ao hotel. Um bom começo de viagem, não é mesmo?

Fotos: Paulo Siqueira

Música da África

January 13th, 2011

Florianópolis, SC – Depois do meu último trabalho na Nigéria, resolvi descansar um pouco junto com a família. Estou em “Floripa” curtindo a praia e sol, e também bastante calor. Descansar, quando se trabalha por projeto, é muito relativo. Na verdade, a gente não descansa nunca, pois está sempre antenado. Recebi uma proposta para uma rápida missão no Iraque, mas não aceitei. O meu plano é ficar por aqui até o fim de janeiro. Também estou trabalhando numa proposta para um trabalho em em São Paulo, quem quiser saber mais, dê uma olhada no site da Exadigital.

Aproveitando o tempo “livre”, coloquei no YouTube dois pequenos vídeos que fiz na África, no ano passado. Espero que gostem.
O primeiro foi quando visitei  o Lago Malawi, em abril do ano passado; dê uma olhada nas fotos e texto do blog aqui.

Música – Lago Malawi

O segundo eu fiz no estacionamento do hotel, em Abuja, na Nigéria, durante um evento local, em novembro do ano passado. As postagens da Nigéria podem ser lidas aqui.

Música e dança na Nigéria

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

November 26th, 2010

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Reunião com Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Depois de três meses na África, vivendo em Abuja, na Nigéria, cheguei em São Paulo.  Foram três meses cheios de desafios e novidades, normal quando se chega a um novo lugar para trabalhar e viver.

África é  um lugar que eu queria muito conhecer. Este ano tive a possibilidade de trabalhar no Malawi e na Nigéria. São dois países distintos em praticamente tudo, clima, riqueza, e população.  Gostei mais do Malawi, que por alguma razão não muito clara para mim, me fez lembrar mais no Brasil – empatia!

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Minha última atividade profissional em Abuja foi uma reunião com o Honorable Chairman Professor Attahiru Jega, que comanda a poderosa Comissão Eleitoral, o “INEC – Independent Electoral Commission”.
Foi uma reunião muito interessante onde tive a oportunidade de relatar o meu trabalho e entregar o meu relatório final. Missão cumprida, ufa!

No dia seguinte peguei o avião para Amsterdam, e de lá, outro para São Paulo. Passei três dias em Amsterdam. O clima já estava completamente diferente de quando passei por lá, indo para a Nigéria. Tempo frio, amanhecendo tarde e anoitecendo cedo – dias curtos, mas o suficiente para eu comprar alguns presentes para as crianças e passear no “The Rijksmuseum”, um museu que eu gosto muito.
Museu  e Gnomos
Tem um quadro em especial, que eu já vi, seguramente, algumas dezenas de vezes. Tem um detalhe que me chama a atenção, e sempre vou lá para conferir, ver se é verdade, se existe mesmo. É um gnomo escondido numa floresta. Não sou de ver gnomos, aliás, este é o primeiro e único que vi, mas ele está lá. Quem tiver paciência também vai ver. O artista se chama Jan Both, e o quadro é o “Italian Landscape with Draughtsman”. Além do meu quadro favorito, foi interessante ver  a exposição especial “Rembrandt & Jan Six. An Amsterdam friendship”.

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman"

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman" e o gnomo

Bom, Amsterdam resumiu-se a passeios, caminhadas, muito frio, queijos, cafés, chás, compras, e o mais lindo de tudo, observar as pessoas e a cidade, sempre cheia de turistas de todas a partes do mundo, uma cidade com uma população mesclada e colorida e com uma língua difícil de entender.

Fotos: Paulo Siqueira

Hajj, táxis, bombas e custo de vida em Abuja

November 16th, 2010
Nigeriano e Muçulmano

Nigeriano e Muçulmano

Hajj ou Hadj

Hoje é feriado na Nigéria. É um feriado religioso muçulmano, o Hajj, que celebra a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Vila Turística

Vila Turística

Depois do sofrimento da malária, aproveitei o feriado e fui fazer uma compras na vila turística, que fica a bem perto do hotel. Fui caminhando, mas o calor e o sol estavam de matar. Quase me arrempendi, mas foi bem interessante.

Nigeriano na Vila Turística

Nigeriano na Vila Turística

Lagarto

Lagarto - "personagem" constante

Trabalho
Faz três meses que estou Abuja. O trabalho é complicado, mas até agora estou satisfeito com os resultados.
É uma ansiedade que fica quando você tem apenas três meses pela frente e muita coisa para fazer.
Estou trabalhando com a área de registro de eleitores, e a Nigéria é uma país imenso, com uma população de 150 milhões de pessoas e mais de 250 grupos étnicos.
O número de pessoas que vão se registrar é estimado em mais de 70 milhões. O registro está começando do zero, então é uma tarefa gigantesca.
Problemas sérios por aqui: AIDS, pobreza, energia, corrupção, conflitos étnicos e regionais, drogas e  os demais problemas que todo país pobre tem.

Bombas
O assunto aqui tem sido as bombas que explodiram no Dia da Independência, em primeiro de outubro. Nas explosões, 12 pessoas morreram.
Fiquei sabendo que um helicóptero que sobrevoava a região filmou um suspeito que estacionou o carro bomba. Esta pessoa pegou um táxi. Os serviços de segurança identificaram o motorista do táxi. Ele deixou o rapaz num hotel (foi onde fiquei quando cheguei aqui). O rapaz foi preso junto com outras pessoas, todos, segundo a imprensa local, aparentemente ligados a um grupo político da região petrolífera, o “The Movement For The Emancipation Of The Niger Delta (MEND)”.

Custo de vida
A vida em Abuja é bem cara e contrasta bastante coma pobreza do país.
O dinheiro aqui se chama naira. Um dólar vale 150 nairas, ou seja, um real mais ou menos 90 nairas.
Aqui  vão algumas informações:

  • Táxi  popular: 300-400 nairas (sempre negociados a cada corrida)
  • Táxi do hotel: 1.500 nairas
  • Entrada de cinema: 1.500 nairas
  • Pipoca + refrigerante: 1.100 nairas
  • Livro (pocket-book): 1.800 nairas
  • Refeição no restaurante local: 1.800 nairas
  • Refeição no hotel: de 4.000 a 6.000 nairas
  • Café da manhã no hotel: 3.500 nairas
  • Internet (USB): 10 mil nairas por 30 dias ou 5GB de dados.
  • Jornal: 150 nairas
  • Diária do hotel: um absurdo!

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Um capítulo especial – trânsito e táxis.

Os táxis me lembram os táxis do Timor Leste, tem a mesma qualidade, ou seja, todos bem detonados.
Acho quer o maior risco que tenho trabalhando aqui é quando ando de táxi. Sempre sento no banco traseiro e me preparo para o pior. Até o momento tudo certo e nenhum acidente, só alguns sustos.
A maioria dos táxis é pintada de verde e eles estão por todo lado.
Quando cheguei não acreditei na bagunça do trânsito, e mais que a bagunça, não acreditei na barulheira.
Era buzina para todo lado sem parar um segundo. Depois fui me acostumando.
Passei a entender melhor e descobri que tudo não passa de um código de trânsito não escrito.
Acho que a comunicação aqui evoluiu do som dos tambores para os som das buzinas dos carros.
Percebi que os motoristas se comunicam a todo instante através de buzinadas. Buzinam para os amigos, para os inimigos, para o carro andando, para o carro parado, para os guardas de trânsito, para os potenciais passageiros, para os vendedores de jornais, para o sinal de trânsito – aberto ou fechado -, para os vendedores de água nas esquinas, enfim, buzinam para tudo e para todos. É um buzinaço sem fim.
Do meu quarto no hotel cheguei a ficar estressado de tanto barulho que vinha do estacionamento. Agora, depois das bombas, os táxis não podem mais entrar no hotel.
A vida ficou mais silenciosa por aqui. Ainda bem!

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Fotos: Paulo Siqueira

Malária Nunca Mais!

November 7th, 2010
Mosquito da Malária

Mosquito da Malária

Há exatos nove dias, comecei a sentir os efeitos da malária. Tinha acabado de voltar do ginásio onde tinha feito exercício. Ainda me lembro que naquele dia, um sábado, eu estava me sentindo muito bem e ainda dei uma puxada no treino.
Cheguei no quarto do hotel, tomei um bom banho de chuveiro, e antes de almoçar, resolvi dar uma olhada na Internet. Coisa de meia hora. Quando levantei da poltrona, senti uma tontura e dor no corpo todo. Achei que tinha exagerado no exercício e era melhor comer logo alguma coisa. Daí para frente, só piorei. Comecei a ter febre, sentir calafrios, dores no estômago.
A noite foi complicada, mas nem tanto. Passei um domingo bem mole, achando que tinha pegado alguma virose. Na segunda-feira pela manhã, não consegui mais tomar o café da manhã.  Fui na farmácia que fica dentro da área do hotel – “lá eles devem saber o que eu tenho, deve ser alguma coisa comum aqui”, pensei. Não precisou nem de um minuto de conversa para descobrir que tinha malária.
Comprei um remédio apropriado, à base de artemisinina, extraída de uma planta chinesa. Voltei para o quarto, para a cama, de onde quase não sai mais durante quatro dias.
Chamei o médico do hotel, um nigeriano, que confirmou o diagnóstico, não pediu exames nem nada. O interessante é que, pela postura e modo de falar, ele parecia mais um lorde inglês, ou uma ator shakesperiano. Recebi uma batelada de remédios e um antibiótico. Foi a última vez que o ví, espero!
Tenho que dizer que o pessoal do hotel foi muito bom comigo. Passavam pelo quarto várias vezes por dia para saber se precisa de alguma coisa. Teve um que veio até dar uma rezada.
Esgotei minha roupas, cuecas, camisetas e pijamas. Tudo ficou encharcado, molhado de suor. Na cama,  ficava de dia de uma lado, e à noite do outro, era muito suor. Sentia tudo encharcado. Tive de mandar a roupa para a lavanderia, situação emergencial. No final, fiquei só de cueca e nem me importava mais com quem entrava no quarto.
Depois do terceiro dia, tomando as medicações, percebi que comecei a melhorar. Hoje, nove dias depois, domingo, estou bem, mas estou dormindo umas 12 horas por dia, pelo menos.
Mapa da Malária no Mundo

Mapa da Malária no Mundo

Alguma informação sobre a Malária

A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos – fêmeas  sempre fatais!
O texto abaixo que extrai da Wikipidia mostra exatamente o que senti (http://pt.wikipedia.org/wiki/Malária).
“Estas crises, mais frequentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura até 39-40 °C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41 °C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes.”
Uma noite, olhei meu pé e parecia que via o sangue passando sob a pele, de tão transparente e vermelha. Confesso que naquela noite fiquei assustado.
Durante este tempo todo fiquei pensando sobre o que é a malária, que a gente sempre ouve muito e pouco sabe. Fiquei pensando como deve ser difícil para uma família sem acesso a médico e a medicamentos, ver os filhos doentes, sofrendo, podendo até morrer.
Abaixo mais algumas informações que extraí do site “Malaria Foundation International”.
  • Malária é a causa estimada de 300-500 milhões de casos clínicos, com um milhão de mortes por ano.
  • A cada 30 segundos, uma criança morre por causa da malária.
  • Nos hospitais africanos, 60% das internações são causadas pela malária.
Não faça prevenção por conta própria. Em caso de suspeita, procure atendimento médico!

Malaria No More

Malaria No More

Malária, espero, nunca mais!

Nigéria 50 Anos. Meu Pai, 87 Anos.

October 1st, 2010

Em tempo.
Hoje, enquanto escrevia esta postagem, ouviu um grande, grande estrondo. Pensei comigo mesmo, “ainda bem que não estou mais no Paquistão, se fosse lá, com certeza era um ataque suicida”. Logo depois outro grande estrondo, e pensei “devem ser tiros de canhão porque eles estão comemorando a independência”. Segui escrevendo e publiquei a postagem.

Poucos minutos atrás, assistino a CNN, fiquei sabendo que dois carros-bomba explodiram hoje aqui em Abuja, Nigéria, matando pelo menos 7 pessoas. Triste dia da independência. Apesar do susto atrasado, tudo tranquilo.

Bandeira da Nigéria

Bandeira da Nigéria

Hoje, a Nigéria faz 50 anos. Parabéns à esta jovem democracia. Com sua multiplicidade racial, tribal, religiosa e linguística, a Nigéria tem um longo caminho pela frente até conseguir estabilidade econômica e social.
Estou em Abuja, a capital. Faz um mês que cheguei aqui e ainda tenho bastante dificuldade de entender as relações sociais. Acho que os nigerianos também. Abuja está em festa e espero que o tempo ajude. Nuvens negras no horizonte, literalmente.
Mesquita em Abuja

Mesquita em Abuja

Ontem, meu pai fez 87 anos.  Infelizmente comemorou seu aniversário no hospital, em São Paulo, mas espero que logo volte para casa.
Quando a Nigéria conseguiu sua independência dos Britânicos, meu pai tinha 37 anos, e eu, 4 anos.
Falei com meu pai rapidamente por telefone, utilizando o Skype. Coisa inimaginável 50 anos atrás.
Meu pai é radio-amador e eu, desde de pequeno, ficava grudado nele, acompanhando suas conversas Brasil afora. Quando a gente conseguia falar com alguma país da América do Sul ou da África, era a glória. Ele utilizava um bom portunhol. No seu “shack”, mapas e cartões do mundo todo. Eu ficava fascinado, imaginando como seriam os lugares e as pessoas com quem ele conversava.
Coma evolução da tecnologia, os contatos foram aumentando e, consequentemente os países.
Meu pai não fala inglês, mas ele tinha uma cola esperta, com os diálogos básicos necessário para o contato por rádio. Quando a conversa saia do roteiro, a gente terminava rapidamente o contato e ríamos às gargalhadas, sempre um pouco encabulados por não entender a conversa. Passei horas e horas com ele, e nos divertíamos muito mesmo. Quantas e quantas vezes não subi no telhado da casa para judar a montar ou a calibrar uma antena. Bons tempos.
Pouco a pouco, esta atividade foi ficando de lado e hoje está morta.  Mas ainda me lembro das muitas pessoas que ele ajudou durante sua vida, não só como rádio-amador, quando não existia Internet e o uso do telefone era precário.
Tive uma infância feliz com ele, saíamos do interior de Minas Gerais para passar as férias em Ubatuda. A família toda, seis pessoas, algumas vezes carregando a empregada  ou algum amigo, todos viajando na Kombi do meu pai. Era aventura atrás de aventura.
Foi em parte, devido à sua influência, que resolvi conhecer o mundo.
Hoje, aqui em Abuja, junto com os nigerianos, celebro o aniversário, não só da independência do país, mas de meu pai, um lutador e vencedor. Saúde e paz, merecidas.
Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Fotos: Paulo Siqueira

17 de setembro de 2010

September 18th, 2010
Hoje estou fazendo 54 anos. Faz exatamente 10 anos que iniciei minha carreira internacional. Foi um tiro no escuro. Neste mesmo dia,  10 anos atrás, estava no meu primeiro emprego fora do Brasil. Foi em Trieste, na Itália, trabalhando para um projeto da ONU, para a América Latina, chamado de “Prospectiva Tecnológica”.  Foi um início de uma vida que me que me levou a conhecer dezenas de países, conhecer muitas pessoas e ter experiências incríveis.
Naquela época, na Itália, estava no maior baixo astral, longe da família e dos amigos, sentindo muito o fato de estar só, num lugar onde não conhecia nínguém.
Hoje, devo dizer que o sentimento não é diferente. Trabalhando em Abuja, na Nigéria, continuo longe de todos os que mais gosto. Os amigos são poucos. Mas os presentes que a vida está me dando são lindos, filhos e netos, e o neto mais novo chega em novembro.
Como presente e aniversário resolvi jantar num restaurante chamado “Obuja Grill”, onde a carne estava excelente, que me perdoem os vegetarianos. Conversando com os garçons descobri que a carne vem da África do Sul, e a cerveja, a famosa “Guinness”, direto do Reino Unido. Para completar ouvi, para minha surpresa, “Garota de Ipanema”, executado ao vivo pelo ótimo pianista  do restaurante.
Só posso agradecer e esperar a volta ao Brasil, em novembro, se tudo der certo, para curtir a  família.
Obs.:  A postagem esta sendo publicada no dia 18 de setembro devido a problemas de acesso à Internet.