Posts Tagged ‘África’

Cabo Verde, na rota do descobrimento

Sunday, January 1st, 2012

Visual de janela de onde trabalhei

Visual de janela de onde trabalhei

Depois de várias horas viajando de São Tomé para Cabo Verde, num voo não muito confortável da TAAG (Linhas Aéreas de Angola), foi uma agradável chegada. A cidade de Praia é bem cuidada,  e percebe-se logo a diferença em relação à outros países africanos em que estive.

O clima estava bom. Tomei um táxi para o meu hotel. O preço foi de dez euros – que equivale à, mais ou menos, mil escudos, a moeda local. O troco foi em escudos, e quando fiz as contas, percebi que recebi de troco apenas a metade do esperado, e o táxi já ia longe.

Praia - Cabo Verde

No Plateau, Praia - Cabo Verde

Cheguei domingo à noite, na segunda-feira, de manhã, já estava no trabalho. Tem sido assim até hoje, mais de duas semanas depois.

Aos poucos fui conhecendo a cidade, me localizando, fui ao bairro “Plateau”, numa agência da TACV, Transportes Aéreos de Cabo Verde, para, finalmente comprar minha passagem de volta ao Brasil. O Plateau é um bairro histórico onde existem várias construções antigas e coloniais.

No domingo, no único dia livre que tive, visitei a Cidade Velha, que fica a poucos quilômetros de Praia. A Cidade Velha é considerada pela UNESCO como o  Patrimônio Mundial da Humanidade.

Cidade Velha - Cabo Verde

Cidade Velha - Cabo Verde

Vale a visita, é primeira cidade construída pelos europeus nos trópicos e primeira capital do arquipélago de Cabo Verde. Passaram por lá os navegadores, Cristovão Colombo, Vasco de Gama e Pedro Álvares Cabral. Como triste lembrança, fica a lembrança do tráfico de escravos que foi responsável pelo desenvolvimento inicial de Cabo Verde. O Forte Real de São Felipe, que foi construído em 1590 para defender a cidades dos ataques dos piratas, dos franceses e ingleses, é uma parada obrigatória.

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha - Câmara Municipal

Cidade Velha

Cidade Velha

Na área de comidas típicas fica registrado a Cachupa, de carne ou do peixe, é feita com feijão, milho e legumes cozidos; acompanha a banana cozida.

No mais, além da simpatia das pessoas, é só trabalho e mais trabalho.

Hoje vou embora. Amanhã, na hora do almoço, se tudo der certo, estarei em casa.

Foram dois meses de trabalho que me levaram por seis países, em quatro continentes. Viagem que significou, praticamente, uma volta ao mundo. Não foi fácil.

Como despedida da cidade da Praia, fui almoçar, quase por acaso, no restaurante Ipanema. Sentei-me na varanda, e olhando o mar, fiz uma retrospectiva da minha viagem e do meu trabalho.

Ontem, sábado, morreu, aos setenta anos de idade,  a “Diva dos pés descalços”, a cantora e símbolo nacional, Cesária Évora.

Ontem, também, ao despedir-me dos colegas cabo-verdianos, no seminário sobre registro eleitoral, recebi uma inesperada, linda e singela homenagem. Cantaram para mim uma música da “Diva”  que fala de saudade.  Fiquei emocionado.

No restaurante, pedi uma lagosta rosa, que além de um bom preço, estava excelente. Celebrei assim, com certo estilo, mas solitário, o fim de um ano muito difícil.

Semelhanças com o Brasil

Semelhanças com o Brasil

A Igreja

A igreja

Presença do Brasil

Presença do Brasil

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Pelourinho

Pelourinho, símbolo de dominação

Texto e Fotos: Paulo Siqueira

No Chifre da África e no Outro Lado do Mundo

Sunday, November 6th, 2011
Capa do Livro - Somaliland

Capa do livro sobre a Somaliland

Faz tempo que não publico no meu blog. Um pouco de preguiça, um pouco for falta de tempo, um pouco para refletir sobre a vida.

Depois da minha última viagem à África, voltei para casa em Florianópolis, onde fiquei por três semanas. Logo depois parti novamente para o continente africano. Desta vez para a Somália, ou melhor, a Somaliland, no chifre da África.

Por problemas de acesso à Internet e por falta de recursos, não publiquei nada durante a viagem. Mas escrevi bastante sobre a minha experiência lá, o que acabou resultando num livro que quero publicar quando puder. Gostei muito deste trabalho e fiz dezenas de fotos que estão bem interessantes. Novamente em Florianópolis, mal tive tempo de ver a família, parti em nova missão.

Timor-Leste, quase dez anos depois

Chove bastante. É um temporal.

É a época de chuvas no Timor Leste. Despois de vários dias de sol, a chuva despencou sobre Díli. Quem sabe o calor diminui.

Fotos do Timor-Leste 2003-5

Fotos do Timor-Leste tiradas entre 2003 e 2005

Faz quase dez anos que cheguei aqui pela primeira vez. Fiquei por quase três anos. Desenvolvi um admiração especial por esta terra, por este povo. Foi bom ter voltado. Percebe-se que o país está melhorando, as coisas estão um pouco mais organizadas. A missão da ONU é grande, bem maior agora do que quando estive por aqui. Carros com o logotipo da “UN“ estão por toda parte.

Como sou mais compassivo, percebo a tensão no ar. A maioria das pessoas que estão à minha volta, internacionais, não sentem o que eu sinto. Voltei ao lugar onde trabalhei e percebi os timorenses mais tristes, mais tensos, mais nervosos, quase que infelizes.

Vim com grande expectativa, mas agora, depois de duas semanas, percebo que quase nada posso fazer. Ouvi o conselho de um jovem amigo, com quem trabalhei em 2003 – “Faça o seu trabalho e vá embora, não se envolva, é o melhor a fazer”. Palavras sabias, tenho que admitir no meu íntimo. Seja profissional, mantenha distância e a sanidade.

Fiquei realmente alegre de ver novamente a cidade, mudanças são percebidas já no aeroporto. Pelo caminho, até o hotel, novas construções; os táxis agora, são todos amarelos, ainda que muitos deles mal estejam em condições de trafegar. O cheiro do cigarro indonésio paira no ar e me remete às sensações do passado. As praias continuam lindas.

Aproveitei o fim de semana e fui mergulhar no lindo mar de águas azuis e transparentes. Corais e peixes multicoloridos estão por todo lado. Foi aqui que fiz meus cursos de mergulho e assim, aventurei-me pelas profundezas do mar do Timor.

Encontrei amigos, caminhei pelas ruas debaixo de uma calor imenso, comi a comida com misturas portuguesas e indonésias. É época de mangas e não perdi a oportunidade. Foi bom voltar.

Fotos: Paulo Siqueira

Elefantes, impalas, girafas… África selvagem

Sunday, August 14th, 2011
Paulo

Paulo no "Kruger National Park"

Esta é a minha quarta viagem à África, todas elas a trabalho. Sem muito tempo para turismo, sempre senti-me frustrado por não ter tido tempo de conhecer as reservas e os parques de animais selvagens.
Desta vez foi diferente. Com um amigo moçambicano, numa bela manhã de sol, atravessamos a fronteira com a África do Sul e fizemos uma rápida e divertida visita ao “Kruger National Park”, uma das maiores reservas do continente.
Só posso dizer que foi lindo e que, finalmente, realizei o meu sonho de criança. Fui criado lendo os livros escritos por Edgar Rice Burroughs, sobre as aventuras de Tarzan, na minha infância também comprava todas as suas história em quadrinhos. Tarzan foi o meu herói preferido quando criança.
A surpresa começou ao paramos na imigração, ao encontrarmos os boeres (descendentes de colonos dos Países Baixos que se estabeleceran nos séculos XVII e XVIII na África do Sul. Brancos, descalços, vestindo calções e camisas cáqui, destoavam na multidão.
Ao cruzarmos as fronteira, percebe-se que a qualidade da vida na África do Sul é melhor, com boas estradas, onde plantações irrigadas margeiam a estrada. Percebe-se assim, o enorme potencial de Moçambique para a produção agrícola.
“Malelane Gate”

“Malelane Gate”

Chegamos a uma das entradas do parque, a “Malelane Gate”, existem várias. Logo que chegamos, ao cruzar um rio, avistamos crocodilos e diversos pássaros. Fomos bem atendidos na recepção, pagamos os nossos bilhetes e seguimos na nossa aventura.
Foi emocionante ver o primeiro impala, o imponente elefante e, seguindo adiante, as zebras, girafas, hipopótamos, javalis, macacos, leões, búfalos, etc, etc.
Impala
Impala
Imapalas, vimos muitos.
Zebras
Zebras
Javali

Javali

Elefante

Elefante

Com uma mapa da reserva na mão e alguns conselhos, procuramos seguir perto dos rios e riachos, onde a probabilidade de ver os animais é maior.
Passando pela “Crocodile Bridge Gate”, não sai decepcionado. Com mais um sonho realizado, e já com vontade de voltar ao parque, regressamos para Maputo ao cair da tarde.
Pássaros no restaurante
Pássaros no restaurante
Pássaros no restaurante

Pássaros no restaurante, foi difícil comer...

Hora da  comida

Hora da comida

Fotos: Paulo Siqueira

África, Zambézia, Sofala e comida típica

Sunday, July 31st, 2011
Trabalho pesado

Trabalho pesado

Tenha trabalhado bastante. Nos últimos dias, cumpri uma agenda de viagens que me fez cruzar os céus de Moçambique várias vezes. Sai num belo domingo de céu azul,  pela manhã. Fui de Maputo à Beira, na Província de Sofala, por avião, um modelo Embraer, creio o EMB 120, o qual achei muito confortável.
Orgulho

Orgulho Moçambicano

De Beira, fui ao ao Distrtito de Bózi, numa viagem de mais de 130Km de carro, boa parte feita em uma estrada de terra. Voltei no mesmo dia. De Beira voltei a Maputo para, no dia seguinte, voar para Tete e Quelimane, no Distrito de Zambézia. Zambézia é conhecido com pequeno Brasil. Não consegui descobrir o motivo. Talvez por ter uma clima agradável e lugar de gente simpática. Finalmente regressei a Maputo, numa fria madrugada de sábado, depois de uma semana bem agitada.
Distrito
No interior da Província de Sofala
Crianças brincando

Crianças brincando

Catedral

Antiga Catedral em Beira, aqui chegou Vasco da Gama

Nova Catedral

A nova catedral de Beira

Sal

Sal à venda na rua

Tive a oportunidade ver paisagens maravilhosas, sobrevoar o Rio Zambese, um nome que me remete às lembranças da infância e às histórias de aventuras e caçadas.
Entre atrasos, esperas intermináveis, cancelamentos de voos, noites mal-dormidas, e algum medo e sustos provocado pela desconfiança dos aviões, apreciei a boa hospitalidade Moçambicana, sua cultura e, deliciosamente, para o meu imenso prazer, a culinária típica local.
caranguejos
Os deliciosos caranguejos
Mucapata

A famosa Mucapata

Com sabor africano, experimentei, entre outros pratos, a Mucapata, feito de arroz, feijão soroco e coco; lagostas, camarões e peixes grelhados, com o vermelho, o serra e a garoupinha; os deleiciosos caranguejos; e também a famosa e tradicional galinha à zambeziana.
Tenho que reconher que o meu trabalho, às vezes, me encanta!
Bicleta Taxi
Em Beira, a bicileta Taxi, transporte barato e popular
Bicleta Taxi

Bicleta Taxi, transporte popular em Beira

Fotos: Paulo Siqueira

África, Moçambique, Províncias…

Saturday, July 16th, 2011
Hoje, sábado, está ventando bastante, e está frio. Resolvi tomar o café da manhã no Restaurante Cristal. Foi uma ótima decisão. Comprei jornais locais, li as notícias e deixei o tempo passar. Passou junto o meu  mal humor. Logo cedo, pela manhã, fui acordado antes da hora pelos funcionários que conversavam animadamente perto do meu quarto. Dormiria mais.
Ontem, sai para jantar com alguns amigos, depois fomos conhecer um pouco da animada vida noturna de Maputo. Fui dormir tarde. Os amigos seguiram na noitada. Eu  peguei um táxi e voltei ao hotel.
Os últimos dias têm sido cansativos. Viajei a trabalho para outros distritos e províncias.
Em Moamba

Em Moamba, próximo à África do Sul

Na semana passada fui a Matola e a Moamba para reuniões e visitas de avaliação. No fim de semana, finalmente, almocei no Mercado e Peixe em Maputo. Excelentes lagostas!
Logostas vivas e camarões - o antes...
Logostas vivas e camarões – o antes…
Logostas vivas e camarões - o depois...

Logostas e camarões - o depois...

Nesta semana estive nas províncias de Gaza e Inhambane, numa viagem de carro de três dias, nos quais rodamos 1.500 Km.  Fui com três moçambicanos.
Este é o lado bem positivo do que faço. A oportunidade de conhecer pessoas e lugares que de outra maneira jamais conheceria. O fato ficarmos juntos, por horas e horas, viajando no carro, permitiu um intercâmbio e uma troca intensa de informação cultural.
No caminho, comprando tangerianas, madioca, piri-piri, etc...

No caminho, comprando tangerianas, madioca, piri-piri, etc...

Mais uma vez, como já aconteceu comigo em outras viagens, são histórias que não estão nos livros e pertencem à tradição da história oral. Aprendi muito sobre Moçambique e sobre os moçambicanos, sobre as magias e os feitiços. Ouvi histórias sobre as lutas da resistência e lutas pela libertação contra os portugueses.
Ouvi histórias sobre Samora Machel e Eduardo Mondlane, heróis históricos de moçambique. Eduardo Mondlane foi assassinado através de uma carta-bomba, em 1969. Já Samora Machel morreu quando o avião em viajava caiu em território sul-africano (dizem que foi um atentado), em 1986. Aprendi bastante sobre os movimentos de libertação e entendi um pouco sobre as relações políticas e econômicas entre os vários países africanos.
Encontro Comunitário

Encontro Comunitário

Mulheres no encontro comunitário

Mulheres no encontro comunitário

Perto de Morumbene, na província de Inhambane, participei de um interessante encontro de líderes comunitários, em uma tribo. Pessoas simples e simpáticas que nos receberam cantando. Vi e vivi e a África de perto neste encontro.
No último dia em Inahmbane, acordamos  bem cedo e fomos visitar a Praia do Tofo, banhada pelas águas azuis do lindíssimo Oceano Índico. Um lugar que vale a pena voltar.
Caminho das praias

Caminho das praias

Praia da Barra - Tofo

Praia da Barra - Tofo

Em Tofo vistamos o Buraco dos Assassinatos, uma  profunda fenda nas pedras, sobre o mar,  onde os portuguêses atiravam os prisioneiros, membros da luta pela libertação.
Estes, se não morriam pela queda, morriam afogados pela água do mar, durante a maré cheia. Não havia escapatória. Tenebroso e cruel!
Buraco dos Assassinatos
Buraco dos Assassinatos
Buraco dos Assassinatos

Buraco dos Assassinatos

Piri-Piri

Piri-Piri

No mercado, na estrada
No mercado, na estrada
Mandioca
Mandioca
Fotos: Paulo Siqueira

Destino Maputo – Moçambique – África

Saturday, July 2nd, 2011
Maputo

Maputo

Vou trabalhar em Maputo por 45 dias. Cheguei faz uma semana e, depois de dias complicados no trabalho, resolvi passear um pouco. Sem informações turísticas, resolvi perguntar na recepção do hotel. Muitos simpáticos, falaram de algumas empresas e disseram que me entregariam no quarto os nomes e os telefones das operadoras de turismo. Nunca recebi nada. Já estou me acostumando com a maneira Moçambicana de ser. Felizmente eu achei um folheto na recepção da Dudongo Viagens. Perguntei sobre eles à recepcionista e ela disse nunca tinha ouvido falar.

Paulo na Fortaleza de Maputo

Paulo na Fortaleza de Maputo

Sem opções, telefonei para a Dudongo, uma voz com sotaque espanhol atendeu o telefone. Informei-me sobre os preços e passeios e decidi por fazer um “tour” de meio dia, em Maputo mesmo. O preço foi de 40 dólares. Resolvi arriscar.
Hoje, sábado, pela manhã, às nove horas o Senhor José, um simpático espanhol, estava à minha espera na recepção do hotel.
Fizemos várias paradas por Maputo, conversamos bastante. Como ela mora em Moçambique há vários anos, casado com uma moçambicana, foi uma boa fonte de informações, com uma visão européia, sobre como funcionam (ou não funcionam) as coisas por aqui. Entre outras atividades, ele trabalha enviando artesanato local para a Espanha. Segundo ele, com a crise. O negócio está meio parado.
Fomos à três mercados diferentes de venda de artesanato e explicou-me sobre como funciona o negócio.

Artesanato

Artesanato

ARtesanato

Artesanato

artesanato

Artesanato

Fomos ao Mercado Central, à Fortaleza de Maputo, à Casa de Ferro, esta construída pelo mesmo arquiteto que fez a Torre Eiffel, de Paris. Segundo o “Seu Zé”, a casa de ferro foi um projeto fracassado devido ao calor moçambicano. Incompatibilidade climática total. Li na internet que ele nunca veio a Moçambique (à confirmar). Fomos ver também a Estação C.E.F (de trens), outra obra de Eiffel – este sim um belo projeto.

Casa de Ferro - desenhada por Gustav Eiffel

Casa de Ferro - desenhada por Gustav Eiffel

Estação Ferroviária - desenhada por Gustav Eiffel

Estação Ferroviária - desenhada por Gustav Eiffel

Passeamos pela cidade, fomos até a Costa do Sol, ao Mercado de Peixes, onde o quilo da lagosta custa 450 medicais (15 dólares) . O quilo do camarão grande sai por 200-300 medicais. No fundo do mercado existem vários restaurantes. Você vai ao mercado, escolhe o que quer comer, fresco, e eles preparam na hora, em um dos restaurantes, por apenas 60 medicais. Tudo isto depende, sempre de negociações.

Crianças na Praia - Costa do Sol

Crianças na Praia - Costa do Sol

Barcos - Costa do Sol

Barcos - Costa do Sol

Barcos

Barcos - Costa do Sol

Fomos também ao Museu de História Natural, onde excursões escolares despejavam as crianças para as visitas.
A manhã terminou com uma almoço num restaurante. Novos passeios já estão planejados com o Sr. José. Uma boa descoberta em Maputo.

Crianças

Crianças em passeio da Escola

Fotos: Paulo Siqueira

Ida e volta, São Paulo-Bissau-São Paulo

Wednesday, May 25th, 2011

Já faz algum tempo que não escrevo, um pouco por preguiça, um pouco por não ter o que dizer.

Depois de Bissau, voltei para casa, em São Paulo, passando novamente por Lisboa. Nem bem cheguei, fui para Florianópolis,  onde tenho a minha segunda casa, e fiquei por lá alguns dias. Aproveitei este tempo para pensar nos próximos projetos, não só os pessoais, mas também os profissionais, planejar o que fazer e o que priorizar.

Digito para Android

De volta à São Paulo, trabalhei num protótipo comercial de um sistema de informação para a Internet. Desenvolvi também um projeto web para a UNDP em Nova Iorque – Cooperação Sul-Sul. Aproveitando o meu tempo livre, desenvolvi uma versão do Digito (http://digi.to) para o sistema Android. Ele está disponível gratuitamente no Android Market e na SHOP4APPS da Motorola.

Mais viagens
Há duas semanas, fui convidado, pelo PNUD, para participar de um Workshop sobre Registro Eleitoral na Guiné-Bissau. Fui preparando minhas apresentações enquanto viajava, uma vez que tudo foi feito em cima da hora. Sai de São Paulo no sábado pela manhã, passei pelo Rio de Janeiro, mais um dia em Lisboa, até chegar em Bissau, na segunda-feira de manhã.

O que mais me chamou a atenção em Portugal foi o ceú azul e as cores da cidade.

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Em Bissau, dormi algumas horas e fui direto para a Assembléia Nacional, onde aconteceu o Workshop, que teve a duração de três dias. Foi uma semana intensa e gratificamente. Gostei muito de trabalhar com nossos irmãos africanos de língua portuguesa. Participaram também delegações de Cabo Verde e Moçambique.
À noite, saíamos para jantar. Num deste jantares, compareceram o Ministro da Administração, o Presidente da Comissão Eleitoral e alguns colegas do Workshop. O jantar foi no meio da rua, no bairro antigo do Bissau. Gostei muito da simplicidade do lugar, da comida e, mais do que tudo, da conversa e da troca de experiências. Sentei-me ao lado do representante da Embaixada da Angola. Conversamos bastante e saimos de lá amigos.
Na abertura do Workshop, encontrei-me com o Embaixador brasileiro que convidou-em para almoçar. Assim, no dia seguinte, fui caminhando até residência do Embaixador, que fica ao lado da Assembleia Nacional. Almoço excelente, ótima recepção, e a oportunidade de encontrar uma missão brasileira do Ministério da Saúde que estava em Bissau.

Um pouco de turismo
Na sexta-feira, dia de voltar ao Brasil, fiz um passeio ao interior da Guiné-Bissau com o pessoal de Moçambique e do PNUD. Saímos em quatro pessoas, mais o motorista. Foi ótimo. Conversamos horas e horas, falando sobre as similaridades entre os nossos países, a cultura, o clima, a geografia, e sobre política, conflitos armados e as lutas de libertação da independência. Passamos por Mansôa, Bafafá e chegamos em Gabú, já proximo à fronteira com a Guiné.

Foi um privilégio ouvir as histórias narradas pelos próprios africanos, aquelas histórias que não estão registradas nos livros, aquelas que contam sobre as guerras tribais, sobre as disputas de poder, histórias recheadas de “magia negra” e macumbas.

Estatua

Estátua de Amílcar Cabral

Visitamos a cidade onde Amílcar Cabral nasceu. Amílcar Cabral, herói nacional e africano, liderou a luta para a Independência da Guiné e Cabo Verde e, no início da década de 1960, iniciou a luta armada contra o regime colonial. Cabral foi assassinado em 1973, em Conacri (Guiné), mas continuou como referência histórica e exemplo de líder na luta pela libertação.
Voltei a Bissau bem a tempo de pegar o vôo para Lisboa, e de lá, depois de dois dias de viagem, voltar ao Brasil.

Churrasco

Comendo um churrasco na rua

Preparando o Suco de Cajú

Bicicleta

Fotos: Paulo Siqueira

Alegria, Tristeza, Futebol – Guiné-Bissau X Uganda

Sunday, March 27th, 2011
Ontem, sábado, tive o prazer de assistir ao clássico do futebol africano, Guiné-Bissau X Uganda. O jogo, válido pela Copa Africana das Nações, foi no estádio Lino Vieira, que estava lotado.
O estádio lembra o de uma pequena cidade de interior de São Paulo ou Minas Gerais, pequeno e sem conforto.  Disseram-me que existe um novo estádio, construído pelos chineses, mas que, jogar lá dá azar. Então, o selecionado local não joga mais lá.
Paulo e Deryck

Paulo e Deryck

O interessante foi acompanhar a movimentação durante a semana. Outro dia, fui tomar café da manhã o hotel onde estou hospedado e deparei-me-e com uma longa mesa. Nela sentados, como  um batalhão militar, duas dúzias de jovens, vestidos com camisetas amarelas onde, nas costas, estava escrito Uganda Cranes.
Era a seleção de Uganda. Cranes, pelo que entendi, é uma espécie de pássaro. Sou obrigado a mencionar aqui, e comparando com o Brasil, a civilidade dos jovens jogadores, e também, com forma recebidos pela população em Bissau. Em nenhum momento ouvi qualquer comentário desagradável ou vi qualquer problema.
Na sexta-feira, compramos os ingressos e junto, um cachecol. Fiquei me imaginando usando o cachecol debaixo de um sol de mais de trinta graus.
No hotel, recebo um pedido do recepcionista que queria dinheiro para comprar um ingresso para o jogo. Encontrei com ele no estádio. Ele, feliz da vida, torcia muito.
Entrando em Campo

Entrando em Campo

O jogo começou às 16:30h, e o calor estava bravo. O motivo do jogo começar tão cedo, foi a luz solar e a falta de energia elétrica para um jogo noturno.
Fomos na arquibancada A, onde o preço do ingresso era de dez  mil francos guineenses (20 dólares). O ingresso popular custava três mil. Estádio cheio. Polícia para todo lado e, muitas borrachadas depois, o jogo começou. Força Djurtos, era o que estava escrito no meu cachecol. Djurto é um animal local, parecido com um chacal ou cachorro do mato. O o meu entendimento sobre o que é um Djurto foi resultado de uma longa discussão entre dois guineenses que não se entendiam sobre o que era o bicho.
Enfim, a festa, como sempre sempre acontece num jogo de futebol, foi a torcida. A poeira vermelha se espalhou para todo lados ao som dos tambores e o jogo começou.
Cadeirantes tem seu espaço

Cadeirantes tem seu espaço

Os Djurtos pedreram de 1X0, e perderam também um penalti. A torcida foi embora triste. Eu também, mas de certa forma também feliz com a minha primeira experiência ao assistir um jogo de futebol no continente africano.
O Torcedor

O Torcedor

Torcida

Torcida

Uganda - Comemorando o Gol

Uganda - Comemorando o Gol

O Penalti Perdido

O Penalti Perdido

Torcida

Torcida

Torcida

Torcida

Fotos: Paulo Siqueira

Bissau, Carnaval e Trabalho!

Monday, March 7th, 2011
Animal

Na casa de um amigo

Bissau, capital da Guiné-Bissau, na África, é uma cidade pequena, com pouco mais de 385 mil habitantes. Possui algumas ruas asfaltadas, mas a maioria é de terra, terra vermelha.
O pó vermelho está por todo lado, nos sapatos, nas casas, nos carros. Lembra a poeira do deserto.
Tudo muito seco e quente. Pela manhã e à noite, a temperatura é mais amena.
Andar pelas ruas ao sol do meia dia é bem desagradavél. Procuro logo uma sombra ou algum lugar com ar-condicionado para ficar.
Menina
Na rua
Avenida Principal
Avenida Principal
Igreja
Igreja
Porto
Porto
Aqui também tem Carnaval. No sábado e no domingo fui ver o desfile. É pobre e desorganizado, mas com alegria e muita participação da criançada. Passei boas horas observando as pessoas, o desfile, as fantasias, mascaras e a cidade.
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Trabalhei a semana toda, fui a diversas reuniões. Todos são muito simpáticos, não há problema de segurança, e caminhar pela cidade é uma boa opção. É necessário tomar cuidado ao fotografar. Muitos não gostam, e fotografar bancos, escritórios públicos e unidades do exército e da marinha é proibido.
Forte
Forte
Carnaval
Campanha – AIDS
A comida, portuguesa com certeza. Prato principal para todo lado – o Bitoque, faz a alegria dos famintos – arroz, ovo frito e bife, acompanhado sempre de batatas fritas.
Da janela do meu escritório, no quarto andar, me diverti assistindo um jogo de futebol feminino no campo da base naval. As jogadoras não se importavam com o calor. Eu, tranquilo no meu ar-condicionado, sofria por elas. Escolhi o time de camisas vermelhas para torcer.
Meu Hotel
Hotel onde estou hospedado
Futebol
Futebol Feminino
Carnaval
Futebol Feminino
Vou do hotel ao escritório em uma caminhada de poucos minutos. O cheiro de lixo e a sujeira estão por todo lado. O que tem de sacos plásticos por todo lado é incrível, acho esta uma das piores invenções da sociedade moderna. Crianças brincam nos montes de lixo que estão acumulados ruas e nas áreas sem construção.
Já encontrei vários brasileiros e portugueses. Inclusive alguns com quem trabalhei no Timor-Leste. Mundo pequeno este.
A língua é o português, nas ruas se fala o crioulo (mistura de português e língua local) e também o francês.
Na TV do hotel tenho acesso à Rede Record, a RTP África, CNN, Canal + (está com o cartão vencido)  e mais um canal de filmes. Nem sempre tudo funciona como deveria. Falta água e energia, e o barulho dos geradores estão por todo lado. A rede móvel é boa, assim como a Internet, com velocidade razoável, inclusive com 3G.
Já tive oportunidade de circular pela cidade, fui ver a Bissau velha, com seus casarões do tempo de colônia, a Fortaleza d’Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), a Igreja e o Palácio Presidencial semi-destruído pela guerra civil.
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Palácio
Palácio Presidencial
Futebol
Partido Político
Futebol
Guerra Civil
Pela cultura, Bissau podia ser o Brasil – de toda maneira, somos todos  irmãos na raça e no sangue.
Fotos: Paulo Siqueira

Em Lisboa, à Caminho do Continente Africano

Thursday, March 3rd, 2011

Novamente na estrada e, mais uma vez, de volta ao continente africano.

Vou trabalhar por um mês na Guiné-Bissau. Estou muito curioso, pois é uma país de língua portuguesa. O segundo país de língua portuguesa, fora o Brasil, onde trabalho. O primeiro foi o Timor Leste.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Lindo dia

Ante de chegar a Bissau, capital da Guiné-Bissau, fiz uma escala técnica em Lisboa, Portugal. Cheguei por volta do meio-dia de um domingo. O avião para a África partia somente às 10 horas da noite.
Aproveitei para desfrutar algumas horas na linda capital portuguesa, e que, segundo um amigo português, é a mais linda cidade do mundo, depois do Rio de Janeiro.

Fonte

Caminhando por Lisboa - Fonte

Bom, a primeira preocupação ao passar pela imigração e sair no saguão do aeroporto, foi o almoço. Peguei um táxi e fui para a região de Alcântara, onde fica a Taberna Ideal.

A Taberna  foi recomendação de uma amigo português, um especialista em cozinha, o qual conheci, há alguns anos atrás, no Timor Leste. O amigo já tinha feito a reserva e o meu lugar estava garantido na pequena e simpática Taberna.

Rua da Taberna Ideal

Rua da Esperança, onde fica a Taberna Ideal

A indicação não podia ser melhor. Frequentada por famílias de portugueses. O único turista era eu.
A comida deliciosa, o preço justo, o vinho ótimo. Saboreei um atum grelhado com ervas e batatas. Tudo na medida certa.
A simpática Taberna tem várias opções e o menu fica na parede, onde é atualizado diariamente, dependendo do que está disponível no mercado.

Taberna Ideal

Taberna Ideal

Depois da boa refeição, uma caminhada pelo centro de Lisboa aproveitando o lindo dia e o céu azul. Um café e de volta ao aeroporto.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Grafite

Caminhando por Lisboa - Grafite

À noite, embarquei para Bissau, para um voo de quatro horas. Curioso por chegar, não senti o cansaço da viagem que começara no dia anterior, no aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Ao chegar a Bissau, ao passar pela imigração, paguei 85 euros pelo visto. Tudo certo, aguardei a minha bagagem junto à uma multidão de pessoas, passageiros, carregadores, militares, funcionários e uma freira brasileira, que mora já a quatorze anos na Guiné-Bissau. Ao sair do aeroporto, o motorista me aguardava com uma placa na mão onde estava escrito o meu nome.

Pelo caminho esburacado e escuro, cheguei ao hotel. Um bom começo de viagem, não é mesmo?

Fotos: Paulo Siqueira