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Ida e volta, São Paulo-Bissau-São Paulo

Wednesday, May 25th, 2011

Já faz algum tempo que não escrevo, um pouco por preguiça, um pouco por não ter o que dizer.

Depois de Bissau, voltei para casa, em São Paulo, passando novamente por Lisboa. Nem bem cheguei, fui para Florianópolis,  onde tenho a minha segunda casa, e fiquei por lá alguns dias. Aproveitei este tempo para pensar nos próximos projetos, não só os pessoais, mas também os profissionais, planejar o que fazer e o que priorizar.

Digito para Android

De volta à São Paulo, trabalhei num protótipo comercial de um sistema de informação para a Internet. Desenvolvi também um projeto web para a UNDP em Nova Iorque – Cooperação Sul-Sul. Aproveitando o meu tempo livre, desenvolvi uma versão do Digito (http://digi.to) para o sistema Android. Ele está disponível gratuitamente no Android Market e na SHOP4APPS da Motorola.

Mais viagens
Há duas semanas, fui convidado, pelo PNUD, para participar de um Workshop sobre Registro Eleitoral na Guiné-Bissau. Fui preparando minhas apresentações enquanto viajava, uma vez que tudo foi feito em cima da hora. Sai de São Paulo no sábado pela manhã, passei pelo Rio de Janeiro, mais um dia em Lisboa, até chegar em Bissau, na segunda-feira de manhã.

O que mais me chamou a atenção em Portugal foi o ceú azul e as cores da cidade.

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Em Bissau, dormi algumas horas e fui direto para a Assembléia Nacional, onde aconteceu o Workshop, que teve a duração de três dias. Foi uma semana intensa e gratificamente. Gostei muito de trabalhar com nossos irmãos africanos de língua portuguesa. Participaram também delegações de Cabo Verde e Moçambique.
À noite, saíamos para jantar. Num deste jantares, compareceram o Ministro da Administração, o Presidente da Comissão Eleitoral e alguns colegas do Workshop. O jantar foi no meio da rua, no bairro antigo do Bissau. Gostei muito da simplicidade do lugar, da comida e, mais do que tudo, da conversa e da troca de experiências. Sentei-me ao lado do representante da Embaixada da Angola. Conversamos bastante e saimos de lá amigos.
Na abertura do Workshop, encontrei-me com o Embaixador brasileiro que convidou-em para almoçar. Assim, no dia seguinte, fui caminhando até residência do Embaixador, que fica ao lado da Assembleia Nacional. Almoço excelente, ótima recepção, e a oportunidade de encontrar uma missão brasileira do Ministério da Saúde que estava em Bissau.

Um pouco de turismo
Na sexta-feira, dia de voltar ao Brasil, fiz um passeio ao interior da Guiné-Bissau com o pessoal de Moçambique e do PNUD. Saímos em quatro pessoas, mais o motorista. Foi ótimo. Conversamos horas e horas, falando sobre as similaridades entre os nossos países, a cultura, o clima, a geografia, e sobre política, conflitos armados e as lutas de libertação da independência. Passamos por Mansôa, Bafafá e chegamos em Gabú, já proximo à fronteira com a Guiné.

Foi um privilégio ouvir as histórias narradas pelos próprios africanos, aquelas histórias que não estão registradas nos livros, aquelas que contam sobre as guerras tribais, sobre as disputas de poder, histórias recheadas de “magia negra” e macumbas.

Estatua

Estátua de Amílcar Cabral

Visitamos a cidade onde Amílcar Cabral nasceu. Amílcar Cabral, herói nacional e africano, liderou a luta para a Independência da Guiné e Cabo Verde e, no início da década de 1960, iniciou a luta armada contra o regime colonial. Cabral foi assassinado em 1973, em Conacri (Guiné), mas continuou como referência histórica e exemplo de líder na luta pela libertação.
Voltei a Bissau bem a tempo de pegar o vôo para Lisboa, e de lá, depois de dois dias de viagem, voltar ao Brasil.

Churrasco

Comendo um churrasco na rua

Preparando o Suco de Cajú

Bicicleta

Fotos: Paulo Siqueira

Alegria, Tristeza, Futebol – Guiné-Bissau X Uganda

Sunday, March 27th, 2011
Ontem, sábado, tive o prazer de assistir ao clássico do futebol africano, Guiné-Bissau X Uganda. O jogo, válido pela Copa Africana das Nações, foi no estádio Lino Vieira, que estava lotado.
O estádio lembra o de uma pequena cidade de interior de São Paulo ou Minas Gerais, pequeno e sem conforto.  Disseram-me que existe um novo estádio, construído pelos chineses, mas que, jogar lá dá azar. Então, o selecionado local não joga mais lá.
Paulo e Deryck

Paulo e Deryck

O interessante foi acompanhar a movimentação durante a semana. Outro dia, fui tomar café da manhã o hotel onde estou hospedado e deparei-me-e com uma longa mesa. Nela sentados, como  um batalhão militar, duas dúzias de jovens, vestidos com camisetas amarelas onde, nas costas, estava escrito Uganda Cranes.
Era a seleção de Uganda. Cranes, pelo que entendi, é uma espécie de pássaro. Sou obrigado a mencionar aqui, e comparando com o Brasil, a civilidade dos jovens jogadores, e também, com forma recebidos pela população em Bissau. Em nenhum momento ouvi qualquer comentário desagradável ou vi qualquer problema.
Na sexta-feira, compramos os ingressos e junto, um cachecol. Fiquei me imaginando usando o cachecol debaixo de um sol de mais de trinta graus.
No hotel, recebo um pedido do recepcionista que queria dinheiro para comprar um ingresso para o jogo. Encontrei com ele no estádio. Ele, feliz da vida, torcia muito.
Entrando em Campo

Entrando em Campo

O jogo começou às 16:30h, e o calor estava bravo. O motivo do jogo começar tão cedo, foi a luz solar e a falta de energia elétrica para um jogo noturno.
Fomos na arquibancada A, onde o preço do ingresso era de dez  mil francos guineenses (20 dólares). O ingresso popular custava três mil. Estádio cheio. Polícia para todo lado e, muitas borrachadas depois, o jogo começou. Força Djurtos, era o que estava escrito no meu cachecol. Djurto é um animal local, parecido com um chacal ou cachorro do mato. O o meu entendimento sobre o que é um Djurto foi resultado de uma longa discussão entre dois guineenses que não se entendiam sobre o que era o bicho.
Enfim, a festa, como sempre sempre acontece num jogo de futebol, foi a torcida. A poeira vermelha se espalhou para todo lados ao som dos tambores e o jogo começou.
Cadeirantes tem seu espaço

Cadeirantes tem seu espaço

Os Djurtos pedreram de 1X0, e perderam também um penalti. A torcida foi embora triste. Eu também, mas de certa forma também feliz com a minha primeira experiência ao assistir um jogo de futebol no continente africano.
O Torcedor

O Torcedor

Torcida

Torcida

Uganda - Comemorando o Gol

Uganda - Comemorando o Gol

O Penalti Perdido

O Penalti Perdido

Torcida

Torcida

Torcida

Torcida

Fotos: Paulo Siqueira

Arquipélago de Bolama-Bijagós, Paraíso na África

Tuesday, March 22nd, 2011
UNESCO, Reserva de Biosfera

UNESCO - Reserva de Biosfera

No fim de semana que passou viajei para o Arquipélago de Bolama-Bijagós, na Guiné-Bissau, que foi classificado pela UNESCO, em 1996, como Reserva de Biosfera.

Até então, não tinha saído de Bissau e estava bastante curioso sobre o que ia ver pela frente.

A viagem foi cheia de coincidências. Começou há alguns dias, quando não consegui ir porque não tinha lugar no hotel. Fiz então a reserva e consegui lugar para o fim de semana seguinte.

Tinha planejado ir de ferry, numa viagem de quatro horas. O Abbas, gerente do hotel me ligou e disse que teriam um barco mais rápido disponível. A viagem, apesar de mais cara, duraria apenas uma hora.

Avioneta

Paulo e a avioneta de seis lugares

Na sexta-feira, dia marcado para a partida, a dona do hotel, me ligou. Não vai mais ter o barco.

Preparei-me psicologicamente para as quatro horas no ferry. Bom, disse ela, mas vai ter uma “avioneta”, e você pode vir com ela, pagando o mesmo que o barco. Vibrei, a viagem seria de apenas 15 minutos.

No fim da tarde fui ao aeroporto esperar a “avioneta”. Esperei também pelos outros passageiros. Para a minha surpresa, apareceu um grupo de quatro brasileiros, dos quai eu já conhecia três. Foi uma festa.

Subimos no pequeno avião, e eu fui de copiloto. Foi interesante ver Bissau do alto, as ilhas do Arquipélago se aproximando.

O pouso

O pouso

O pouso foi numa pista que mais parecia uma mistura de pasto e uma estrada de terra. No nosso caminho, algumas cabras e pessoas que, rapidamente, abriram espaço para o pouso perfeito do pequeno avião. Parabéns ao nosso jovem piloto.

À caminho do barco

À caminho do barco

Chegamos à ilha de Bubaque. De lá, pegamos uma barco que nos aguardava e, depois de mais quinze minutos, chegamos ao paraíso. Ou melhor, ao Hotel Ponta Anchaca.

Fomos recebidos na praia pela simpática Solange, uma francesa que é proprietária do Hotel. A comida do restaurante do hotel, que fica num deck sobre o mar, é excelente, bem servida, simples, com bons pratos de peixes frescos e camarões. Estes mais pareciam lagostas, pelo tamanho e sabor.

O Hotel

O Hotel

Um Quarto do Hotel

Um Quarto do Hotel

O quartos são de muito bom gosto, e ficam na beira do mar. Espetacular!

Tomei muitos banhos de mar, dormi bastante, caminhei solitário pelas areias brancas da praia, vendo o sol se por atrás dos coqueiros.

Saudades da família!

Praias Lindas

Praias Lindas

Um único acidente. Uma amiga pisou numa arraia e foi picada no calcanhar. Depois do susto e alguma dor, tudo voltou ao normal.

O fim de semana passou voando e, no fim da tarde do domingo, também de “avioneta”, voltamos à realidade de Bissau.

Crianças em Bubaque

Crianças em Bubaque

A Canoa

A Canoa

Crianças na Pista de Pouso

Crianças na Pista de Pouso

Fotos: Paulo Siqueira

Bissau, Carnaval e Trabalho!

Monday, March 7th, 2011
Animal

Na casa de um amigo

Bissau, capital da Guiné-Bissau, na África, é uma cidade pequena, com pouco mais de 385 mil habitantes. Possui algumas ruas asfaltadas, mas a maioria é de terra, terra vermelha.
O pó vermelho está por todo lado, nos sapatos, nas casas, nos carros. Lembra a poeira do deserto.
Tudo muito seco e quente. Pela manhã e à noite, a temperatura é mais amena.
Andar pelas ruas ao sol do meia dia é bem desagradavél. Procuro logo uma sombra ou algum lugar com ar-condicionado para ficar.
Menina
Na rua
Avenida Principal
Avenida Principal
Igreja
Igreja
Porto
Porto
Aqui também tem Carnaval. No sábado e no domingo fui ver o desfile. É pobre e desorganizado, mas com alegria e muita participação da criançada. Passei boas horas observando as pessoas, o desfile, as fantasias, mascaras e a cidade.
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Carnaval
Trabalhei a semana toda, fui a diversas reuniões. Todos são muito simpáticos, não há problema de segurança, e caminhar pela cidade é uma boa opção. É necessário tomar cuidado ao fotografar. Muitos não gostam, e fotografar bancos, escritórios públicos e unidades do exército e da marinha é proibido.
Forte
Forte
Carnaval
Campanha – AIDS
A comida, portuguesa com certeza. Prato principal para todo lado – o Bitoque, faz a alegria dos famintos – arroz, ovo frito e bife, acompanhado sempre de batatas fritas.
Da janela do meu escritório, no quarto andar, me diverti assistindo um jogo de futebol feminino no campo da base naval. As jogadoras não se importavam com o calor. Eu, tranquilo no meu ar-condicionado, sofria por elas. Escolhi o time de camisas vermelhas para torcer.
Meu Hotel
Hotel onde estou hospedado
Futebol
Futebol Feminino
Carnaval
Futebol Feminino
Vou do hotel ao escritório em uma caminhada de poucos minutos. O cheiro de lixo e a sujeira estão por todo lado. O que tem de sacos plásticos por todo lado é incrível, acho esta uma das piores invenções da sociedade moderna. Crianças brincam nos montes de lixo que estão acumulados ruas e nas áreas sem construção.
Já encontrei vários brasileiros e portugueses. Inclusive alguns com quem trabalhei no Timor-Leste. Mundo pequeno este.
A língua é o português, nas ruas se fala o crioulo (mistura de português e língua local) e também o francês.
Na TV do hotel tenho acesso à Rede Record, a RTP África, CNN, Canal + (está com o cartão vencido)  e mais um canal de filmes. Nem sempre tudo funciona como deveria. Falta água e energia, e o barulho dos geradores estão por todo lado. A rede móvel é boa, assim como a Internet, com velocidade razoável, inclusive com 3G.
Já tive oportunidade de circular pela cidade, fui ver a Bissau velha, com seus casarões do tempo de colônia, a Fortaleza d’Amura, contendo o mausoléu de Amílcar Cabral (líder nacionalista que ajudou a fundar o Partido Africano pela Independência da Guiné e Cabo Verde – PAIGC), a Igreja e o Palácio Presidencial semi-destruído pela guerra civil.
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Bissau Velha
Palácio
Palácio Presidencial
Futebol
Partido Político
Futebol
Guerra Civil
Pela cultura, Bissau podia ser o Brasil – de toda maneira, somos todos  irmãos na raça e no sangue.
Fotos: Paulo Siqueira

Em Lisboa, à Caminho do Continente Africano

Thursday, March 3rd, 2011

Novamente na estrada e, mais uma vez, de volta ao continente africano.

Vou trabalhar por um mês na Guiné-Bissau. Estou muito curioso, pois é uma país de língua portuguesa. O segundo país de língua portuguesa, fora o Brasil, onde trabalho. O primeiro foi o Timor Leste.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Lindo dia

Ante de chegar a Bissau, capital da Guiné-Bissau, fiz uma escala técnica em Lisboa, Portugal. Cheguei por volta do meio-dia de um domingo. O avião para a África partia somente às 10 horas da noite.
Aproveitei para desfrutar algumas horas na linda capital portuguesa, e que, segundo um amigo português, é a mais linda cidade do mundo, depois do Rio de Janeiro.

Fonte

Caminhando por Lisboa - Fonte

Bom, a primeira preocupação ao passar pela imigração e sair no saguão do aeroporto, foi o almoço. Peguei um táxi e fui para a região de Alcântara, onde fica a Taberna Ideal.

A Taberna  foi recomendação de uma amigo português, um especialista em cozinha, o qual conheci, há alguns anos atrás, no Timor Leste. O amigo já tinha feito a reserva e o meu lugar estava garantido na pequena e simpática Taberna.

Rua da Taberna Ideal

Rua da Esperança, onde fica a Taberna Ideal

A indicação não podia ser melhor. Frequentada por famílias de portugueses. O único turista era eu.
A comida deliciosa, o preço justo, o vinho ótimo. Saboreei um atum grelhado com ervas e batatas. Tudo na medida certa.
A simpática Taberna tem várias opções e o menu fica na parede, onde é atualizado diariamente, dependendo do que está disponível no mercado.

Taberna Ideal

Taberna Ideal

Depois da boa refeição, uma caminhada pelo centro de Lisboa aproveitando o lindo dia e o céu azul. Um café e de volta ao aeroporto.

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa

Caminhando por Lisboa - Grafite

Caminhando por Lisboa - Grafite

À noite, embarquei para Bissau, para um voo de quatro horas. Curioso por chegar, não senti o cansaço da viagem que começara no dia anterior, no aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Ao chegar a Bissau, ao passar pela imigração, paguei 85 euros pelo visto. Tudo certo, aguardei a minha bagagem junto à uma multidão de pessoas, passageiros, carregadores, militares, funcionários e uma freira brasileira, que mora já a quatorze anos na Guiné-Bissau. Ao sair do aeroporto, o motorista me aguardava com uma placa na mão onde estava escrito o meu nome.

Pelo caminho esburacado e escuro, cheguei ao hotel. Um bom começo de viagem, não é mesmo?

Fotos: Paulo Siqueira