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Adeus ao Timor-Leste

Monday, November 14th, 2011

Pescadores, coma Ilha de Atauro ao fundo

Adeus ao Timor
Estou no aeroporto de Díli, aguardando o voo que me levará para Singapura, Amsterdam, Lisboa e, finalmente, São Tomé e Príncipe, onde vou trabalhar por duas semanas.
Hoje, 12 de novembro, é uma data importante no calendário timorense. Depois de uma visita do Papa João Paulo II ao Timor-Leste, em outubro de 1989, uma série de manifestações teve início com o objetivo de apoiar a independência do país, então sobre o domínio da indonésia. O pau comeu, e os manifestantes foram intensamente reprimidos.
Em 12 de Novembro de 1991, durante uma manifestação pela morte de um estudante, no Cemitério de Santa Cruz, em Díli , houve intensa repressão e mais de 200 pessoas foram mortas. Quando estive aqui em 2003 participei da solenidade no Cemitério. Foi impressionante.
Nos dias que se seguiram houve uma verdadeira caçada, e centenas de pessoas forma mortas. Li no jornal de hoje um depoimento de um médico que afirmou que os feridos no hospital, dezenas, foram mortos e asfixiados. Numa noite, em Díli, houve um “apagão”, e caminhões aproveitando a escuridão, levaram os corpos para serem enterrados numa vala comum.
Hoje pela manhã, enquanto arrumava a mala, no hotel, escutei barulho vindo das ruas, olhei pela janela e vi uma pequena multidão desfilando em direção ao Cemitério onde haveria uma cerimônia. Várias pessoas carregavam flores e fotografias dos parentes executados na época.

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Hoje, o Timor-Leste me parece mais normal. Me preocupa a pressão do governo para que a Missão da ONU deixe o país. Li declarações, de vários altos dirigentes, nos jornais locais pedindo à população para que não crie problemas. O fim da missão está previsto para 2012, ano também de eleições. Mais de uma vez, percebi, conversando com os timorenses, um certo rancor contra os internacionais. Espero que isto não prospere. Que o Timor Leste seja livre, se livre da tutela internacional e que seus dirigentes não mergulhem corrupção, um imenso desafio, me parece.

Mercado de Tais

Mercado de Tais


Barco

Canoa típica dos pescadores

Pescador no seu trabalho diário

Pescador no seu trabalho diário

Fotos: Paulo Siqueira

No Chifre da África e no Outro Lado do Mundo

Sunday, November 6th, 2011
Capa do Livro - Somaliland

Capa do livro sobre a Somaliland

Faz tempo que não publico no meu blog. Um pouco de preguiça, um pouco for falta de tempo, um pouco para refletir sobre a vida.

Depois da minha última viagem à África, voltei para casa em Florianópolis, onde fiquei por três semanas. Logo depois parti novamente para o continente africano. Desta vez para a Somália, ou melhor, a Somaliland, no chifre da África.

Por problemas de acesso à Internet e por falta de recursos, não publiquei nada durante a viagem. Mas escrevi bastante sobre a minha experiência lá, o que acabou resultando num livro que quero publicar quando puder. Gostei muito deste trabalho e fiz dezenas de fotos que estão bem interessantes. Novamente em Florianópolis, mal tive tempo de ver a família, parti em nova missão.

Timor-Leste, quase dez anos depois

Chove bastante. É um temporal.

É a época de chuvas no Timor Leste. Despois de vários dias de sol, a chuva despencou sobre Díli. Quem sabe o calor diminui.

Fotos do Timor-Leste 2003-5

Fotos do Timor-Leste tiradas entre 2003 e 2005

Faz quase dez anos que cheguei aqui pela primeira vez. Fiquei por quase três anos. Desenvolvi um admiração especial por esta terra, por este povo. Foi bom ter voltado. Percebe-se que o país está melhorando, as coisas estão um pouco mais organizadas. A missão da ONU é grande, bem maior agora do que quando estive por aqui. Carros com o logotipo da “UN“ estão por toda parte.

Como sou mais compassivo, percebo a tensão no ar. A maioria das pessoas que estão à minha volta, internacionais, não sentem o que eu sinto. Voltei ao lugar onde trabalhei e percebi os timorenses mais tristes, mais tensos, mais nervosos, quase que infelizes.

Vim com grande expectativa, mas agora, depois de duas semanas, percebo que quase nada posso fazer. Ouvi o conselho de um jovem amigo, com quem trabalhei em 2003 – “Faça o seu trabalho e vá embora, não se envolva, é o melhor a fazer”. Palavras sabias, tenho que admitir no meu íntimo. Seja profissional, mantenha distância e a sanidade.

Fiquei realmente alegre de ver novamente a cidade, mudanças são percebidas já no aeroporto. Pelo caminho, até o hotel, novas construções; os táxis agora, são todos amarelos, ainda que muitos deles mal estejam em condições de trafegar. O cheiro do cigarro indonésio paira no ar e me remete às sensações do passado. As praias continuam lindas.

Aproveitei o fim de semana e fui mergulhar no lindo mar de águas azuis e transparentes. Corais e peixes multicoloridos estão por todo lado. Foi aqui que fiz meus cursos de mergulho e assim, aventurei-me pelas profundezas do mar do Timor.

Encontrei amigos, caminhei pelas ruas debaixo de uma calor imenso, comi a comida com misturas portuguesas e indonésias. É época de mangas e não perdi a oportunidade. Foi bom voltar.

Fotos: Paulo Siqueira