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Hajj, táxis, bombas e custo de vida em Abuja

Tuesday, November 16th, 2010
Nigeriano e Muçulmano

Nigeriano e Muçulmano

Hajj ou Hadj

Hoje é feriado na Nigéria. É um feriado religioso muçulmano, o Hajj, que celebra a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Vila Turística

Vila Turística

Depois do sofrimento da malária, aproveitei o feriado e fui fazer uma compras na vila turística, que fica a bem perto do hotel. Fui caminhando, mas o calor e o sol estavam de matar. Quase me arrempendi, mas foi bem interessante.

Nigeriano na Vila Turística

Nigeriano na Vila Turística

Lagarto

Lagarto - "personagem" constante

Trabalho
Faz três meses que estou Abuja. O trabalho é complicado, mas até agora estou satisfeito com os resultados.
É uma ansiedade que fica quando você tem apenas três meses pela frente e muita coisa para fazer.
Estou trabalhando com a área de registro de eleitores, e a Nigéria é uma país imenso, com uma população de 150 milhões de pessoas e mais de 250 grupos étnicos.
O número de pessoas que vão se registrar é estimado em mais de 70 milhões. O registro está começando do zero, então é uma tarefa gigantesca.
Problemas sérios por aqui: AIDS, pobreza, energia, corrupção, conflitos étnicos e regionais, drogas e  os demais problemas que todo país pobre tem.

Bombas
O assunto aqui tem sido as bombas que explodiram no Dia da Independência, em primeiro de outubro. Nas explosões, 12 pessoas morreram.
Fiquei sabendo que um helicóptero que sobrevoava a região filmou um suspeito que estacionou o carro bomba. Esta pessoa pegou um táxi. Os serviços de segurança identificaram o motorista do táxi. Ele deixou o rapaz num hotel (foi onde fiquei quando cheguei aqui). O rapaz foi preso junto com outras pessoas, todos, segundo a imprensa local, aparentemente ligados a um grupo político da região petrolífera, o “The Movement For The Emancipation Of The Niger Delta (MEND)”.

Custo de vida
A vida em Abuja é bem cara e contrasta bastante coma pobreza do país.
O dinheiro aqui se chama naira. Um dólar vale 150 nairas, ou seja, um real mais ou menos 90 nairas.
Aqui  vão algumas informações:

  • Táxi  popular: 300-400 nairas (sempre negociados a cada corrida)
  • Táxi do hotel: 1.500 nairas
  • Entrada de cinema: 1.500 nairas
  • Pipoca + refrigerante: 1.100 nairas
  • Livro (pocket-book): 1.800 nairas
  • Refeição no restaurante local: 1.800 nairas
  • Refeição no hotel: de 4.000 a 6.000 nairas
  • Café da manhã no hotel: 3.500 nairas
  • Internet (USB): 10 mil nairas por 30 dias ou 5GB de dados.
  • Jornal: 150 nairas
  • Diária do hotel: um absurdo!

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Um capítulo especial – trânsito e táxis.

Os táxis me lembram os táxis do Timor Leste, tem a mesma qualidade, ou seja, todos bem detonados.
Acho quer o maior risco que tenho trabalhando aqui é quando ando de táxi. Sempre sento no banco traseiro e me preparo para o pior. Até o momento tudo certo e nenhum acidente, só alguns sustos.
A maioria dos táxis é pintada de verde e eles estão por todo lado.
Quando cheguei não acreditei na bagunça do trânsito, e mais que a bagunça, não acreditei na barulheira.
Era buzina para todo lado sem parar um segundo. Depois fui me acostumando.
Passei a entender melhor e descobri que tudo não passa de um código de trânsito não escrito.
Acho que a comunicação aqui evoluiu do som dos tambores para os som das buzinas dos carros.
Percebi que os motoristas se comunicam a todo instante através de buzinadas. Buzinam para os amigos, para os inimigos, para o carro andando, para o carro parado, para os guardas de trânsito, para os potenciais passageiros, para os vendedores de jornais, para o sinal de trânsito – aberto ou fechado -, para os vendedores de água nas esquinas, enfim, buzinam para tudo e para todos. É um buzinaço sem fim.
Do meu quarto no hotel cheguei a ficar estressado de tanto barulho que vinha do estacionamento. Agora, depois das bombas, os táxis não podem mais entrar no hotel.
A vida ficou mais silenciosa por aqui. Ainda bem!

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Fotos: Paulo Siqueira

11 de setembro de 2010

Saturday, September 11th, 2010
No dia 11 de setembro de 2001 estava participando de um Workshop sobre Desenvolvimento Social com professores e cientistas de diversos países, num hotel  italiano, perto de Trieste, onde morava e trabalhava para uma organização da ONU.
A notícia sobre o ataque nos EUA veio rapidamente e fomos todos ver o que estava acontecendo assistindo ao noticiário da rede CNN, na TV instalada no saguão do hotel. Depois de algum tempo voltamos ao Workshop e tudo seguiu como se nada tivesse acontecido. Acho que ninguém, naquele momento, tinha clareza sobre o que aconteceria seguir.
Hoje, 9 anos depois, estou em Abuja, na Nigéria, trabalhando para a ONU, vejo que ainda sofremos o impacto do que aconteceu quase dez anos atrás. A Nigéria é metade cristã e metade muçulmana  (ou 60% cristã  e 40% muçulmana , ou 40% cristã e 60% muçulmana , “depende do ponto de vista”, comentou comigo outro dia um nigeriano, Diretor da Comissão Eleitoral).
Até agora tudo bem. Parece-me que  a maneira  na qual os africanos enxergam a questão da religião é muito mais aberta e inteligente que em muitos países, incluindo os “desenvolvidos”.
No fundo, é uma questão de sobrevivência e de fé. Todos nós queremos um mundo melhor, mais pacífico e humano. O respeito à vida, à religião, à saúde, à alimentação, à informação, ao respeito à liberdade são parte dos direitos básicos de todo ser humano.
O problema central é sempre a questão de poder, do poder econômico, do uso da força e da manipulação da informação como expressão deste poder, e de fazer valer as várias verdades e as mesmas mentiras.
Apesar de tudo o que vi e vivi durante estes nove anos, ainda tenho fé no ser humano.

Conflito Religioso gera mais violência!

Monday, August 3rd, 2009

De volta ao Paquistão depois de 30 horas de viagem e 10 dias muito bons em São Paulo.
Foi ótimo ver a família e os amigos. Matei a saudade da comida brasileira e descansei bastante – muita chuva e frio ajudaram.
Hoje, quando entrei em casa, em Islamabad, no Paquistão, lindas flores esperavam por mim. Foi uma boa e alegre surpresa depois de uma canseira no aeroporto. Uma “big” fila na imigração e depois mais uma hora até a minha mala aparecer.
A minha empregada trouxe o jornal “Dawn“, do qual sou assinante, para eu ler. Ela é cristã e está preocupada com a situação por aqui. A notícia principal do jornal era sobre mais um conflito interno. Não bastassem todos os problemas que os paquistaneses enfrentam, parece que o conflito religioso pode se aprofundar. Na região de Faisalabad, em Gojra, onde moram os pais da minha empregada, a violência contra a comunidade cristã gerou sete mortes, incluindo crianças. Todos foram queimados vivos em suas casas por uma turba enfurecida. A causa foi um problema de desrespeito ao “Sagrado Corão” durante uma cerimônia de casamento. Foram dois dias de violência onde dezenas de casas foram queimadas.
A polícia já efetuou várias prisões, mas tudo aqui parece um barril de pólvora, prestes a explodir. O comentário era que ainda bem que os cristãos não retaliaram com violência. Promoveram somente protestos pacíficos pedindo justiça.

Enterro cristão para as vítimas do conflito

Enterro cristão para as vítimas do conflito - Dawn / AP photo