Posts Tagged ‘Nigéria’

Música da África

Thursday, January 13th, 2011

Florianópolis, SC – Depois do meu último trabalho na Nigéria, resolvi descansar um pouco junto com a família. Estou em “Floripa” curtindo a praia e sol, e também bastante calor. Descansar, quando se trabalha por projeto, é muito relativo. Na verdade, a gente não descansa nunca, pois está sempre antenado. Recebi uma proposta para uma rápida missão no Iraque, mas não aceitei. O meu plano é ficar por aqui até o fim de janeiro. Também estou trabalhando numa proposta para um trabalho em em São Paulo, quem quiser saber mais, dê uma olhada no site da Exadigital.

Aproveitando o tempo “livre”, coloquei no YouTube dois pequenos vídeos que fiz na África, no ano passado. Espero que gostem.
O primeiro foi quando visitei  o Lago Malawi, em abril do ano passado; dê uma olhada nas fotos e texto do blog aqui.

Música – Lago Malawi

O segundo eu fiz no estacionamento do hotel, em Abuja, na Nigéria, durante um evento local, em novembro do ano passado. As postagens da Nigéria podem ser lidas aqui.

Música e dança na Nigéria

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Friday, November 26th, 2010

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Reunião com Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Depois de três meses na África, vivendo em Abuja, na Nigéria, cheguei em São Paulo.  Foram três meses cheios de desafios e novidades, normal quando se chega a um novo lugar para trabalhar e viver.

África é  um lugar que eu queria muito conhecer. Este ano tive a possibilidade de trabalhar no Malawi e na Nigéria. São dois países distintos em praticamente tudo, clima, riqueza, e população.  Gostei mais do Malawi, que por alguma razão não muito clara para mim, me fez lembrar mais no Brasil – empatia!

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Minha última atividade profissional em Abuja foi uma reunião com o Honorable Chairman Professor Attahiru Jega, que comanda a poderosa Comissão Eleitoral, o “INEC – Independent Electoral Commission”.
Foi uma reunião muito interessante onde tive a oportunidade de relatar o meu trabalho e entregar o meu relatório final. Missão cumprida, ufa!

No dia seguinte peguei o avião para Amsterdam, e de lá, outro para São Paulo. Passei três dias em Amsterdam. O clima já estava completamente diferente de quando passei por lá, indo para a Nigéria. Tempo frio, amanhecendo tarde e anoitecendo cedo – dias curtos, mas o suficiente para eu comprar alguns presentes para as crianças e passear no “The Rijksmuseum”, um museu que eu gosto muito.
Museu  e Gnomos
Tem um quadro em especial, que eu já vi, seguramente, algumas dezenas de vezes. Tem um detalhe que me chama a atenção, e sempre vou lá para conferir, ver se é verdade, se existe mesmo. É um gnomo escondido numa floresta. Não sou de ver gnomos, aliás, este é o primeiro e único que vi, mas ele está lá. Quem tiver paciência também vai ver. O artista se chama Jan Both, e o quadro é o “Italian Landscape with Draughtsman”. Além do meu quadro favorito, foi interessante ver  a exposição especial “Rembrandt & Jan Six. An Amsterdam friendship”.

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman"

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman" e o gnomo

Bom, Amsterdam resumiu-se a passeios, caminhadas, muito frio, queijos, cafés, chás, compras, e o mais lindo de tudo, observar as pessoas e a cidade, sempre cheia de turistas de todas a partes do mundo, uma cidade com uma população mesclada e colorida e com uma língua difícil de entender.

Fotos: Paulo Siqueira

Hajj, táxis, bombas e custo de vida em Abuja

Tuesday, November 16th, 2010
Nigeriano e Muçulmano

Nigeriano e Muçulmano

Hajj ou Hadj

Hoje é feriado na Nigéria. É um feriado religioso muçulmano, o Hajj, que celebra a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Vila Turística

Vila Turística

Depois do sofrimento da malária, aproveitei o feriado e fui fazer uma compras na vila turística, que fica a bem perto do hotel. Fui caminhando, mas o calor e o sol estavam de matar. Quase me arrempendi, mas foi bem interessante.

Nigeriano na Vila Turística

Nigeriano na Vila Turística

Lagarto

Lagarto - "personagem" constante

Trabalho
Faz três meses que estou Abuja. O trabalho é complicado, mas até agora estou satisfeito com os resultados.
É uma ansiedade que fica quando você tem apenas três meses pela frente e muita coisa para fazer.
Estou trabalhando com a área de registro de eleitores, e a Nigéria é uma país imenso, com uma população de 150 milhões de pessoas e mais de 250 grupos étnicos.
O número de pessoas que vão se registrar é estimado em mais de 70 milhões. O registro está começando do zero, então é uma tarefa gigantesca.
Problemas sérios por aqui: AIDS, pobreza, energia, corrupção, conflitos étnicos e regionais, drogas e  os demais problemas que todo país pobre tem.

Bombas
O assunto aqui tem sido as bombas que explodiram no Dia da Independência, em primeiro de outubro. Nas explosões, 12 pessoas morreram.
Fiquei sabendo que um helicóptero que sobrevoava a região filmou um suspeito que estacionou o carro bomba. Esta pessoa pegou um táxi. Os serviços de segurança identificaram o motorista do táxi. Ele deixou o rapaz num hotel (foi onde fiquei quando cheguei aqui). O rapaz foi preso junto com outras pessoas, todos, segundo a imprensa local, aparentemente ligados a um grupo político da região petrolífera, o “The Movement For The Emancipation Of The Niger Delta (MEND)”.

Custo de vida
A vida em Abuja é bem cara e contrasta bastante coma pobreza do país.
O dinheiro aqui se chama naira. Um dólar vale 150 nairas, ou seja, um real mais ou menos 90 nairas.
Aqui  vão algumas informações:

  • Táxi  popular: 300-400 nairas (sempre negociados a cada corrida)
  • Táxi do hotel: 1.500 nairas
  • Entrada de cinema: 1.500 nairas
  • Pipoca + refrigerante: 1.100 nairas
  • Livro (pocket-book): 1.800 nairas
  • Refeição no restaurante local: 1.800 nairas
  • Refeição no hotel: de 4.000 a 6.000 nairas
  • Café da manhã no hotel: 3.500 nairas
  • Internet (USB): 10 mil nairas por 30 dias ou 5GB de dados.
  • Jornal: 150 nairas
  • Diária do hotel: um absurdo!

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Um capítulo especial – trânsito e táxis.

Os táxis me lembram os táxis do Timor Leste, tem a mesma qualidade, ou seja, todos bem detonados.
Acho quer o maior risco que tenho trabalhando aqui é quando ando de táxi. Sempre sento no banco traseiro e me preparo para o pior. Até o momento tudo certo e nenhum acidente, só alguns sustos.
A maioria dos táxis é pintada de verde e eles estão por todo lado.
Quando cheguei não acreditei na bagunça do trânsito, e mais que a bagunça, não acreditei na barulheira.
Era buzina para todo lado sem parar um segundo. Depois fui me acostumando.
Passei a entender melhor e descobri que tudo não passa de um código de trânsito não escrito.
Acho que a comunicação aqui evoluiu do som dos tambores para os som das buzinas dos carros.
Percebi que os motoristas se comunicam a todo instante através de buzinadas. Buzinam para os amigos, para os inimigos, para o carro andando, para o carro parado, para os guardas de trânsito, para os potenciais passageiros, para os vendedores de jornais, para o sinal de trânsito – aberto ou fechado -, para os vendedores de água nas esquinas, enfim, buzinam para tudo e para todos. É um buzinaço sem fim.
Do meu quarto no hotel cheguei a ficar estressado de tanto barulho que vinha do estacionamento. Agora, depois das bombas, os táxis não podem mais entrar no hotel.
A vida ficou mais silenciosa por aqui. Ainda bem!

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Fotos: Paulo Siqueira

Malária Nunca Mais!

Sunday, November 7th, 2010
Mosquito da Malária

Mosquito da Malária

Há exatos nove dias, comecei a sentir os efeitos da malária. Tinha acabado de voltar do ginásio onde tinha feito exercício. Ainda me lembro que naquele dia, um sábado, eu estava me sentindo muito bem e ainda dei uma puxada no treino.
Cheguei no quarto do hotel, tomei um bom banho de chuveiro, e antes de almoçar, resolvi dar uma olhada na Internet. Coisa de meia hora. Quando levantei da poltrona, senti uma tontura e dor no corpo todo. Achei que tinha exagerado no exercício e era melhor comer logo alguma coisa. Daí para frente, só piorei. Comecei a ter febre, sentir calafrios, dores no estômago.
A noite foi complicada, mas nem tanto. Passei um domingo bem mole, achando que tinha pegado alguma virose. Na segunda-feira pela manhã, não consegui mais tomar o café da manhã.  Fui na farmácia que fica dentro da área do hotel – “lá eles devem saber o que eu tenho, deve ser alguma coisa comum aqui”, pensei. Não precisou nem de um minuto de conversa para descobrir que tinha malária.
Comprei um remédio apropriado, à base de artemisinina, extraída de uma planta chinesa. Voltei para o quarto, para a cama, de onde quase não sai mais durante quatro dias.
Chamei o médico do hotel, um nigeriano, que confirmou o diagnóstico, não pediu exames nem nada. O interessante é que, pela postura e modo de falar, ele parecia mais um lorde inglês, ou uma ator shakesperiano. Recebi uma batelada de remédios e um antibiótico. Foi a última vez que o ví, espero!
Tenho que dizer que o pessoal do hotel foi muito bom comigo. Passavam pelo quarto várias vezes por dia para saber se precisa de alguma coisa. Teve um que veio até dar uma rezada.
Esgotei minha roupas, cuecas, camisetas e pijamas. Tudo ficou encharcado, molhado de suor. Na cama,  ficava de dia de uma lado, e à noite do outro, era muito suor. Sentia tudo encharcado. Tive de mandar a roupa para a lavanderia, situação emergencial. No final, fiquei só de cueca e nem me importava mais com quem entrava no quarto.
Depois do terceiro dia, tomando as medicações, percebi que comecei a melhorar. Hoje, nove dias depois, domingo, estou bem, mas estou dormindo umas 12 horas por dia, pelo menos.
Mapa da Malária no Mundo

Mapa da Malária no Mundo

Alguma informação sobre a Malária

A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos – fêmeas  sempre fatais!
O texto abaixo que extrai da Wikipidia mostra exatamente o que senti (http://pt.wikipedia.org/wiki/Malária).
“Estas crises, mais frequentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura até 39-40 °C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41 °C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes.”
Uma noite, olhei meu pé e parecia que via o sangue passando sob a pele, de tão transparente e vermelha. Confesso que naquela noite fiquei assustado.
Durante este tempo todo fiquei pensando sobre o que é a malária, que a gente sempre ouve muito e pouco sabe. Fiquei pensando como deve ser difícil para uma família sem acesso a médico e a medicamentos, ver os filhos doentes, sofrendo, podendo até morrer.
Abaixo mais algumas informações que extraí do site “Malaria Foundation International”.
  • Malária é a causa estimada de 300-500 milhões de casos clínicos, com um milhão de mortes por ano.
  • A cada 30 segundos, uma criança morre por causa da malária.
  • Nos hospitais africanos, 60% das internações são causadas pela malária.
Não faça prevenção por conta própria. Em caso de suspeita, procure atendimento médico!

Malaria No More

Malaria No More

Malária, espero, nunca mais!

Nigéria 50 Anos. Meu Pai, 87 Anos.

Friday, October 1st, 2010

Em tempo.
Hoje, enquanto escrevia esta postagem, ouviu um grande, grande estrondo. Pensei comigo mesmo, “ainda bem que não estou mais no Paquistão, se fosse lá, com certeza era um ataque suicida”. Logo depois outro grande estrondo, e pensei “devem ser tiros de canhão porque eles estão comemorando a independência”. Segui escrevendo e publiquei a postagem.

Poucos minutos atrás, assistino a CNN, fiquei sabendo que dois carros-bomba explodiram hoje aqui em Abuja, Nigéria, matando pelo menos 7 pessoas. Triste dia da independência. Apesar do susto atrasado, tudo tranquilo.

Bandeira da Nigéria

Bandeira da Nigéria

Hoje, a Nigéria faz 50 anos. Parabéns à esta jovem democracia. Com sua multiplicidade racial, tribal, religiosa e linguística, a Nigéria tem um longo caminho pela frente até conseguir estabilidade econômica e social.
Estou em Abuja, a capital. Faz um mês que cheguei aqui e ainda tenho bastante dificuldade de entender as relações sociais. Acho que os nigerianos também. Abuja está em festa e espero que o tempo ajude. Nuvens negras no horizonte, literalmente.
Mesquita em Abuja

Mesquita em Abuja

Ontem, meu pai fez 87 anos.  Infelizmente comemorou seu aniversário no hospital, em São Paulo, mas espero que logo volte para casa.
Quando a Nigéria conseguiu sua independência dos Britânicos, meu pai tinha 37 anos, e eu, 4 anos.
Falei com meu pai rapidamente por telefone, utilizando o Skype. Coisa inimaginável 50 anos atrás.
Meu pai é radio-amador e eu, desde de pequeno, ficava grudado nele, acompanhando suas conversas Brasil afora. Quando a gente conseguia falar com alguma país da América do Sul ou da África, era a glória. Ele utilizava um bom portunhol. No seu “shack”, mapas e cartões do mundo todo. Eu ficava fascinado, imaginando como seriam os lugares e as pessoas com quem ele conversava.
Coma evolução da tecnologia, os contatos foram aumentando e, consequentemente os países.
Meu pai não fala inglês, mas ele tinha uma cola esperta, com os diálogos básicos necessário para o contato por rádio. Quando a conversa saia do roteiro, a gente terminava rapidamente o contato e ríamos às gargalhadas, sempre um pouco encabulados por não entender a conversa. Passei horas e horas com ele, e nos divertíamos muito mesmo. Quantas e quantas vezes não subi no telhado da casa para judar a montar ou a calibrar uma antena. Bons tempos.
Pouco a pouco, esta atividade foi ficando de lado e hoje está morta.  Mas ainda me lembro das muitas pessoas que ele ajudou durante sua vida, não só como rádio-amador, quando não existia Internet e o uso do telefone era precário.
Tive uma infância feliz com ele, saíamos do interior de Minas Gerais para passar as férias em Ubatuda. A família toda, seis pessoas, algumas vezes carregando a empregada  ou algum amigo, todos viajando na Kombi do meu pai. Era aventura atrás de aventura.
Foi em parte, devido à sua influência, que resolvi conhecer o mundo.
Hoje, aqui em Abuja, junto com os nigerianos, celebro o aniversário, não só da independência do país, mas de meu pai, um lutador e vencedor. Saúde e paz, merecidas.
Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Fotos: Paulo Siqueira

17 de setembro de 2010

Saturday, September 18th, 2010
Hoje estou fazendo 54 anos. Faz exatamente 10 anos que iniciei minha carreira internacional. Foi um tiro no escuro. Neste mesmo dia,  10 anos atrás, estava no meu primeiro emprego fora do Brasil. Foi em Trieste, na Itália, trabalhando para um projeto da ONU, para a América Latina, chamado de “Prospectiva Tecnológica”.  Foi um início de uma vida que me que me levou a conhecer dezenas de países, conhecer muitas pessoas e ter experiências incríveis.
Naquela época, na Itália, estava no maior baixo astral, longe da família e dos amigos, sentindo muito o fato de estar só, num lugar onde não conhecia nínguém.
Hoje, devo dizer que o sentimento não é diferente. Trabalhando em Abuja, na Nigéria, continuo longe de todos os que mais gosto. Os amigos são poucos. Mas os presentes que a vida está me dando são lindos, filhos e netos, e o neto mais novo chega em novembro.
Como presente e aniversário resolvi jantar num restaurante chamado “Obuja Grill”, onde a carne estava excelente, que me perdoem os vegetarianos. Conversando com os garçons descobri que a carne vem da África do Sul, e a cerveja, a famosa “Guinness”, direto do Reino Unido. Para completar ouvi, para minha surpresa, “Garota de Ipanema”, executado ao vivo pelo ótimo pianista  do restaurante.
Só posso agradecer e esperar a volta ao Brasil, em novembro, se tudo der certo, para curtir a  família.
Obs.:  A postagem esta sendo publicada no dia 18 de setembro devido a problemas de acesso à Internet.

11 de setembro de 2010

Saturday, September 11th, 2010
No dia 11 de setembro de 2001 estava participando de um Workshop sobre Desenvolvimento Social com professores e cientistas de diversos países, num hotel  italiano, perto de Trieste, onde morava e trabalhava para uma organização da ONU.
A notícia sobre o ataque nos EUA veio rapidamente e fomos todos ver o que estava acontecendo assistindo ao noticiário da rede CNN, na TV instalada no saguão do hotel. Depois de algum tempo voltamos ao Workshop e tudo seguiu como se nada tivesse acontecido. Acho que ninguém, naquele momento, tinha clareza sobre o que aconteceria seguir.
Hoje, 9 anos depois, estou em Abuja, na Nigéria, trabalhando para a ONU, vejo que ainda sofremos o impacto do que aconteceu quase dez anos atrás. A Nigéria é metade cristã e metade muçulmana  (ou 60% cristã  e 40% muçulmana , ou 40% cristã e 60% muçulmana , “depende do ponto de vista”, comentou comigo outro dia um nigeriano, Diretor da Comissão Eleitoral).
Até agora tudo bem. Parece-me que  a maneira  na qual os africanos enxergam a questão da religião é muito mais aberta e inteligente que em muitos países, incluindo os “desenvolvidos”.
No fundo, é uma questão de sobrevivência e de fé. Todos nós queremos um mundo melhor, mais pacífico e humano. O respeito à vida, à religião, à saúde, à alimentação, à informação, ao respeito à liberdade são parte dos direitos básicos de todo ser humano.
O problema central é sempre a questão de poder, do poder econômico, do uso da força e da manipulação da informação como expressão deste poder, e de fazer valer as várias verdades e as mesmas mentiras.
Apesar de tudo o que vi e vivi durante estes nove anos, ainda tenho fé no ser humano.

On the road – agora Abuja, na Nigéria

Wednesday, August 25th, 2010

Cheguei em Abuja na segunda-feira à noite, vindo de Amsterdã, em um voo da KLM.
Quando preparei minha viagem, saindo de São Paulo, resolvi fazer uma parada tática na Holanda. Além de ganhar as milhas, a KLM tem um voo direto para Abuja, capital da Nigéria, onde estou trabalhando agora.

Autoretrato

Como já morei na Holanda, sempre que posso, dou uma parada por lá. Adoro Amsterdã. Adoro andar pelas ruas, ver as pessoas, as construções, as bicicletas, os coffee-shops, visitar os museus, olhar os barcos nos canais. Enfim, passear sem rumo certo.
Amsterdã é um lugar à parte. Com sua mistura de povos, de culturas, de cores, é uma fascinante mundo com dinâmica e vida própria.

Holanda e Holandeses

Passei algumas horas na Internet procurando um hotel para ficar. Como é temporada de férias na Europa, tudo estava cheio e caro. Utilizei o site de buscas de hoteis  www.booking.com. Achei um hotel bem perto da Estação Central (de trem), fiz minha reserva com o cartão de crédito esperando dar tudo certo, uma vez que só ia ficar o fim de semana por lá. O nome do hotel é WestCord City Centre Hotel Amsterdam, fica na  Nieuwezijds Voorburgwal 50, Amsterdam-Centrum.
Hotel onde me hospedei

O outro lado do hotel

Peguei o vôo nas sexta-feira à noite, em Cumbica, e desembarquei, no sábado, pela manhã, no Aeroporto de Schipol. Assim que sai do avião ouvi a as palavras “passaport control” repetidas vezes. Na boca do terminal, logo que sai do avião, estavam postados vários policiais à paisana. Mostrei meu passaporte e um deles perguntou para onde eu ia. Eu disse “Nigéria”.
Foi a palavra mágica.  Colocaram-me de lado, perguntaram o que eu ia fazer na Nigéria, etc, etc. Expliquei que estava indo trabalho como consultor da ONU. Estava com o visto, contrato e tudo o mais. Depois de uma revista  minuciosa na minha bagagem de mão, fui liberado. Devo dizer que foram extremamente educados, esta foi a única vez, entre dezenas de viagens e aeroportos que já fiz e passei, que isto aconteceu comigo.
Não querendo ser paranóico, mas sendo. Acho que eles já sabiam que alguém (eu), naquele avião, tinha um conexão para a Nigéria.
Guardei a mala maior no guarda-volumes do aeroporto e fiquei só com uma pequena mochila.
Ainda dentro do Aeroporto comprei uma passagem de trem para Amsterdã. Uma viagem rápida que já fiz dezenas de vezes.  Da estação de trem, uma caminhada de cinco minutos e já estava no Hotel. Apesar do quarto minúsculo, gostei muito do hotel. Recomendo, é um hotel três estrelas e fica bem no centro de Amsterdã.
Está área é bem interessante e pitoresca. Universitários, trabalhadores, turistas, crianças, policiais, todos dividindo o mesmo espaço. Perto do hotel, uma Delegacia de Polícia, do outro lado, uma pequena loja que vende refrigerantes, água, salgados e frutas para os turistas.

O canal e as bicicletas

O hotel tem entrada por duas ruas. Na entrada oposta, ao lado do hotel tem uma loja de para gays, ao lado dela, o All Day, um coffee-shop, com a rapaziada, e alguns velhos também, fumando tranquilamente.
Em frente e aos lados, os famosos quartos em vermelho. Alguns com as cortinas fechadas ou vazio, sinal de ocupado. Outros com as cortinas abertas, com as mulheres expondo o corpo e atraindo os clientes. No domingo pela manhã cheguei a ver uma pequena fila de marmanjos numa das casas. Ela devia prestar bons serviços.
Incrível como tudo parece bem natural, comum e trivial. E no fundo, assim é, natural, sem pressão, com respeito à individualidade e à pessoa. Resta dizer que Amsterdã estava lotada de turistas. Assisti uma orquestra de crianças tocando música clássica num palco armado em um dos canais. Numa praça, uma orquestra de metais tocando jazz.
Calor e sol, não parecia a Holanda. Já no domingo esfriou e o tempo virou. O que mata a gente na Holanda é o céu cinza e o vento frio.
Na segunda-feira pela manhã chovia. Assim foi, acabou o meu fim de semana. Peguei meu avião para Abuja sem nenhum contratempo.

Fotos: Paulo Siqueira