Posts Tagged ‘Paquistão’

Conflito Religioso gera mais violência!

Monday, August 3rd, 2009

De volta ao Paquistão depois de 30 horas de viagem e 10 dias muito bons em São Paulo.
Foi ótimo ver a família e os amigos. Matei a saudade da comida brasileira e descansei bastante – muita chuva e frio ajudaram.
Hoje, quando entrei em casa, em Islamabad, no Paquistão, lindas flores esperavam por mim. Foi uma boa e alegre surpresa depois de uma canseira no aeroporto. Uma “big” fila na imigração e depois mais uma hora até a minha mala aparecer.
A minha empregada trouxe o jornal “Dawn“, do qual sou assinante, para eu ler. Ela é cristã e está preocupada com a situação por aqui. A notícia principal do jornal era sobre mais um conflito interno. Não bastassem todos os problemas que os paquistaneses enfrentam, parece que o conflito religioso pode se aprofundar. Na região de Faisalabad, em Gojra, onde moram os pais da minha empregada, a violência contra a comunidade cristã gerou sete mortes, incluindo crianças. Todos foram queimados vivos em suas casas por uma turba enfurecida. A causa foi um problema de desrespeito ao “Sagrado Corão” durante uma cerimônia de casamento. Foram dois dias de violência onde dezenas de casas foram queimadas.
A polícia já efetuou várias prisões, mas tudo aqui parece um barril de pólvora, prestes a explodir. O comentário era que ainda bem que os cristãos não retaliaram com violência. Promoveram somente protestos pacíficos pedindo justiça.

Enterro cristão para as vítimas do conflito

Enterro cristão para as vítimas do conflito - Dawn / AP photo

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Cultura, Paquistão e Tapetes Tribais!

Tuesday, July 14th, 2009

Uma das coisas mais interessantes que econtrei aqui no Paquistão são os tapetes. Existem lojas por todos os lados que vendem todos os tipos de tapetes.  O que mais me cativou foram os tapetes tribais, feitos de pura lã de carneiro e de forma totalmente artesanal. São normalmente produzidos por tribos (semi) nômades. Os tapetes tribais são feitos a mão, utilizam cores naturais, e alguns deles podem ser bem antigos, com até mais de cem anos de idade.

Apesar das várias lojas que existem em cada esquina de Islamabad,  resolvi visitar uma delas, a que me foi indicada por um amigo.  A “Afghan Rugs” fica numa área comercial de Islamabad conhecida como Markkaz, no F-6, numa sobreloja. O calor era intenso no sábado à tarde quando subi o primeiro lance da escada e entrei na pequena loja forrada de tapetes. Eram pilhas e mais pilhas de tapetes que chegavam até o teto. Faltava eletricidade e o rapaz, dono da loja, estava deitado no chão, descansando. Entrei,  ele se apresentou e contou sua história. É de uma família de refugiados afegãos e não pode mais voltar para sua tribo devido existrem desavenças pessoais.  Ele me disse que quando vai ao Afeganistão fica 4-5 horas no máximo e depois volta rapidinho para o Paquistão.

Sobre tapetes tribais aprendi que basicamente existem dois tipos:

1 – Tapete feitos à mão com uma trama de fios verticais, franjas do tapete, e fios horizontais, com as fileiras de nós. Vários fios de lã formam a superfície do tapete (veludo). Um dos pontos mais importantes para determinar a qualidade em um tapete é densidade dos nós em uma determinada área, quanto maior, melhor a qualidade.

2 – Kilims: são tapetes que podem ser definidos como “a trama de tapete”. Se enchermos o kilim de lã ele torna-se um tapete (veludo).  A tribos utilizam os kilims diariamente para as variadas atividades – sentar, dormir, comer, tramsporte.

Minha coleção particular

Depois de olhar várias dezenas de tapetes e ouvir as mais variadas histórias acabei comprando dois tapetes e dois kilims:

Mushwani (Herat)  - Tapete

Mushwani (Herat) - Tapete

Grajari Uzbek - Kilim

Grajari Uzbek - Kilim

Baluchi  - Tapete

Baluchi - Tapete

Turkmen - Kilim

Turkmen - Kilim

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Tecnologia da Informação, Bombas, Ataques Suicidas e Um Dia Triste…

Monday, July 6th, 2009

A Célia, minha companheira, comentou comigo que eu devia escrever sobre o lado mais divertido do meu trabalho e não sobre coisas tristes. Acho que ela tem toda razão, mas acho importante comentar sobre a realidade a minha volta, por mais difícil que possa ser.

Na terça-feira, 9 de junho, por volta dez e meia da noite, quando me preparava para dormir, o meu celular tocou. Era de um funcionário do meu escritório em Islamabad e que ja havia trabalhado no escritório da UNICEF, em Peshawar. Peshawar é uma cidade que fica a cerca de duas horas de Islamabad  e é onde se encontra o maior número de campos de refugiados.

Na semana anterior eu tinha ido a Peshawar, onde fiz uma visita aos Campos de Refugiados (leia na postagem anterior), ao escritório do WFP (World Food Program), e ao nosso escritório regional. O objetivo era levantar dados sobre a situação de Telecomunicações – voz e dados na região. Também encontrei com um representante do grupo “Télécoms Sans Frontière – TSF”,  que é uma ONG que trabalha no suporte a emergências em todo o mundo, na área de telecomunicações.

Voltando ao telefonema, era para me avisar que uma explosão tinha acabado de ocorrer no Hotel Peshawar Pearl Continental.

Hotel Peshawar Pearl Continental depois do atentado

Hotel Peshawar Pearl Continental depois do atentado

A explosão foi em decorrência de uma ataque suicida, onde algumas pessoas entraram atirando, invadiram o estacionamento com uma camionete cheia de explosivos e se detonaram. A UNICEF tinha duas pessoas hospedadas lá e nosso pessoal da área de segurança estava tentando se comunicar com elas no hotel. Queriam saber se tínhamos algum número de contato. Desde que cheguei ao Paquistão fiquei hospedado na casa do Chefe de Operações da UNICEF. Por causa disto, o telefone dele não parava de tocar. Informei sobre explosão. Ele também recebeu um telefonema avisando. Consegui o número do telefone de nossa funcionária e passei adiante a informação.

Assim que desliguei, lembrei-me do rapaz da ONG TSF. Ele estava hospedado no mesmo hotel. Na semana anterior, quando fui a Peshawar, terminado nosso trabalho, passei pelo hotel para deixá-lo. Passamos pela segurança, um breve revista no carro. Examinam o carro por baixo, com um espelho, abrem o capô, verificam o motor. É para ver se não existe nenhum explosivo no carro. Rotina comum por todo lado aqui no Paquistão.

Peguei o celular e ligue o número do Oisin. Para minha surpresa, ele atendeu.

- Paulo, Paulo, estou ferido mas estou vivo, estou vivo, ele gritava, entre histérico e aliviado. Eu podia ouvir gritos e muito barulho. Perguntei se ele precisa de apoio e que estava à sua disposição. Ele me disse que estava bem, mas muito assustado. Me falou do colega do WFP que também estava no hotel. Ele está bem, ele também está bem. Perguntei a ele se sabia do nosso pesssoal e ele me disse que não. Oisin foi foi removido para a delegacia de polícia e depois para Islamabad.

O rapaz do WFP me depois mandou um email agrececendo o apoio e me contou que ele só sobreviu porque tinha acabado de ir ao banheiro. Isto salvou a vida dele uma vez que o seu quarto ficou totalmente destruído.

Deixei o trabalho para  o pessoal especializado da ONU – não queria atrapalhar – e a coisa toda estava muito confusa. Infelizmente nenhuma notícia do pessoal da UNICEF. Ligamos a TV e ficamos assisindo cenas do hotel destruído, chocados.

Às duas e meia da manhã recebi um telefonema avisando que o corpo de nossa companheira havia sido encontrado. Já a outra moça, foi encontrada com vida, mas estava bastante machucada e com estilhaços de vidro por todo o corpo, estava sendo removida para o hospital. Sofreu várias cirurgias.

O dia seguinte foi difícil no escritório. Bem em frente a minha sala, ficava a sala da companheira que morreu, ela era chefe da área de educação. Difícil olhar para a frente, ver a sala vazia e fechada, e flores depositadas junto à porta.

Morreram 18 pessoas no ataque suicida.  Entre eles a funcionára da UNICEF e um rapaz da UNCHR (especialista em TI). A vida de um técnico em tecnologia da informação também pode ser perigosa.

A ONU ampliou as medidas de segurança e removeu todo o pessoal internacional de Peshawar. Em hotel no Paquistão não me hospedo mais.

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Mobilidade agora direto do Paquistão!

Tuesday, June 23rd, 2009

Mobilidade, este é o nome do meu Blog. Bom, depois de algum tempo sem escrever, volto à ativa e à essência do termo ”mobilidade”.

Paulo Siqueira, centro, no Campo de Refugiados, com a ONG "Telecom Sans Frontieres"

Paulo Siqueira, centro, no Campo de Refugiados, com a ONG "Telecom Sans Frontieres"

Estou em Islamabad, Paquistão, trabalhando para a UNICEF, como Gerente de TI. Estou impressionado com a capacidade técnica do país. As conexões para Internet são excelentes e os preços muito bons. Em menos de uma semana instalei uma conexão de fibra óptica direto em mina casa – o nome do serviço é “Fiber-To-The-User – FTTU”.

O que mata é a instabilidade na rede de energia elétrica. No momento estou escrevendo no laptop, utilizando a bateria e uma luz de segurança. Toda vez que acaba a energia elétrica, ela acende automaticamente. O outro problema é o calor. Seguramente está uns 40 graus centigrados – sem ar-condicionado ou ventiladores para ajudar. Estou suando em bicas, mas sei que daqui a pouco tudo volta ao normal.

O dia-a-dia em Islamabad é o mesmo de qualquer outra capital, trânsito, gente nas ruas, vendedores ambulantes, etc. As mulheres sempre com a cabeça coberta por um véu ou vestindo a “burka”, mesmo sob um sol intenso. Islamabd é uma cidade bem bonita e organizada. A comida é um capítulo a parte e merece destaque especial – aguarde. Um só comentário – é pimenta para ninguém botar defeito.

Há segurança por toda a parte, e postos de controle em várias área estratégicas. Como tenho carro com placa da ONU não sou incomodado. Mas é sempre uma tensão passar pelos guardas armados e as metralhadoras apontadadas para você. Duas semanas atrás, uma colega da UNICEF que estava hospedada num hotel em uma cidade chamada Peshawar, morreu em decorrência de uma explosão de uma bomba. O ataque foi feito por um grupo suicida, Um outro colega, também da ONU, especialista em TI , que estava no mesmo hotel também morreu na explosão.

A segurança é sempre um problema por aqui, principalmente com as ações suicidas dos Talibans. Bom, sigo ativo com o blog e sempre fiel ao tema mobilidade!

Burka, em Mardan - Fotografias não são ben-vindas!

Burka, em Mardan - Fotografias não são bem-vindas!

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