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Cabo Verde, na rota do descobrimento

Sunday, January 1st, 2012

Visual de janela de onde trabalhei

Visual de janela de onde trabalhei

Depois de várias horas viajando de São Tomé para Cabo Verde, num voo não muito confortável da TAAG (Linhas Aéreas de Angola), foi uma agradável chegada. A cidade de Praia é bem cuidada,  e percebe-se logo a diferença em relação à outros países africanos em que estive.

O clima estava bom. Tomei um táxi para o meu hotel. O preço foi de dez euros – que equivale à, mais ou menos, mil escudos, a moeda local. O troco foi em escudos, e quando fiz as contas, percebi que recebi de troco apenas a metade do esperado, e o táxi já ia longe.

Praia - Cabo Verde

No Plateau, Praia - Cabo Verde

Cheguei domingo à noite, na segunda-feira, de manhã, já estava no trabalho. Tem sido assim até hoje, mais de duas semanas depois.

Aos poucos fui conhecendo a cidade, me localizando, fui ao bairro “Plateau”, numa agência da TACV, Transportes Aéreos de Cabo Verde, para, finalmente comprar minha passagem de volta ao Brasil. O Plateau é um bairro histórico onde existem várias construções antigas e coloniais.

No domingo, no único dia livre que tive, visitei a Cidade Velha, que fica a poucos quilômetros de Praia. A Cidade Velha é considerada pela UNESCO como o  Patrimônio Mundial da Humanidade.

Cidade Velha - Cabo Verde

Cidade Velha - Cabo Verde

Vale a visita, é primeira cidade construída pelos europeus nos trópicos e primeira capital do arquipélago de Cabo Verde. Passaram por lá os navegadores, Cristovão Colombo, Vasco de Gama e Pedro Álvares Cabral. Como triste lembrança, fica a lembrança do tráfico de escravos que foi responsável pelo desenvolvimento inicial de Cabo Verde. O Forte Real de São Felipe, que foi construído em 1590 para defender a cidades dos ataques dos piratas, dos franceses e ingleses, é uma parada obrigatória.

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Fortaleza na Cidade Velha

Cidade Velha

Cidade Velha - Câmara Municipal

Cidade Velha

Cidade Velha

Na área de comidas típicas fica registrado a Cachupa, de carne ou do peixe, é feita com feijão, milho e legumes cozidos; acompanha a banana cozida.

No mais, além da simpatia das pessoas, é só trabalho e mais trabalho.

Hoje vou embora. Amanhã, na hora do almoço, se tudo der certo, estarei em casa.

Foram dois meses de trabalho que me levaram por seis países, em quatro continentes. Viagem que significou, praticamente, uma volta ao mundo. Não foi fácil.

Como despedida da cidade da Praia, fui almoçar, quase por acaso, no restaurante Ipanema. Sentei-me na varanda, e olhando o mar, fiz uma retrospectiva da minha viagem e do meu trabalho.

Ontem, sábado, morreu, aos setenta anos de idade,  a “Diva dos pés descalços”, a cantora e símbolo nacional, Cesária Évora.

Ontem, também, ao despedir-me dos colegas cabo-verdianos, no seminário sobre registro eleitoral, recebi uma inesperada, linda e singela homenagem. Cantaram para mim uma música da “Diva”  que fala de saudade.  Fiquei emocionado.

No restaurante, pedi uma lagosta rosa, que além de um bom preço, estava excelente. Celebrei assim, com certo estilo, mas solitário, o fim de um ano muito difícil.

Semelhanças com o Brasil

Semelhanças com o Brasil

A Igreja

A igreja

Presença do Brasil

Presença do Brasil

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Rua de Banana, a rua mais velha de Cabo Verde

Pelourinho

Pelourinho, símbolo de dominação

Texto e Fotos: Paulo Siqueira

Adeus ao Timor-Leste

Monday, November 14th, 2011

Pescadores, coma Ilha de Atauro ao fundo

Adeus ao Timor
Estou no aeroporto de Díli, aguardando o voo que me levará para Singapura, Amsterdam, Lisboa e, finalmente, São Tomé e Príncipe, onde vou trabalhar por duas semanas.
Hoje, 12 de novembro, é uma data importante no calendário timorense. Depois de uma visita do Papa João Paulo II ao Timor-Leste, em outubro de 1989, uma série de manifestações teve início com o objetivo de apoiar a independência do país, então sobre o domínio da indonésia. O pau comeu, e os manifestantes foram intensamente reprimidos.
Em 12 de Novembro de 1991, durante uma manifestação pela morte de um estudante, no Cemitério de Santa Cruz, em Díli , houve intensa repressão e mais de 200 pessoas foram mortas. Quando estive aqui em 2003 participei da solenidade no Cemitério. Foi impressionante.
Nos dias que se seguiram houve uma verdadeira caçada, e centenas de pessoas forma mortas. Li no jornal de hoje um depoimento de um médico que afirmou que os feridos no hospital, dezenas, foram mortos e asfixiados. Numa noite, em Díli, houve um “apagão”, e caminhões aproveitando a escuridão, levaram os corpos para serem enterrados numa vala comum.
Hoje pela manhã, enquanto arrumava a mala, no hotel, escutei barulho vindo das ruas, olhei pela janela e vi uma pequena multidão desfilando em direção ao Cemitério onde haveria uma cerimônia. Várias pessoas carregavam flores e fotografias dos parentes executados na época.

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Manifestação no dia 12 de Novembro

Hoje, o Timor-Leste me parece mais normal. Me preocupa a pressão do governo para que a Missão da ONU deixe o país. Li declarações, de vários altos dirigentes, nos jornais locais pedindo à população para que não crie problemas. O fim da missão está previsto para 2012, ano também de eleições. Mais de uma vez, percebi, conversando com os timorenses, um certo rancor contra os internacionais. Espero que isto não prospere. Que o Timor Leste seja livre, se livre da tutela internacional e que seus dirigentes não mergulhem corrupção, um imenso desafio, me parece.

Mercado de Tais

Mercado de Tais


Barco

Canoa típica dos pescadores

Pescador no seu trabalho diário

Pescador no seu trabalho diário

Fotos: Paulo Siqueira

No Chifre da África e no Outro Lado do Mundo

Sunday, November 6th, 2011
Capa do Livro - Somaliland

Capa do livro sobre a Somaliland

Faz tempo que não publico no meu blog. Um pouco de preguiça, um pouco for falta de tempo, um pouco para refletir sobre a vida.

Depois da minha última viagem à África, voltei para casa em Florianópolis, onde fiquei por três semanas. Logo depois parti novamente para o continente africano. Desta vez para a Somália, ou melhor, a Somaliland, no chifre da África.

Por problemas de acesso à Internet e por falta de recursos, não publiquei nada durante a viagem. Mas escrevi bastante sobre a minha experiência lá, o que acabou resultando num livro que quero publicar quando puder. Gostei muito deste trabalho e fiz dezenas de fotos que estão bem interessantes. Novamente em Florianópolis, mal tive tempo de ver a família, parti em nova missão.

Timor-Leste, quase dez anos depois

Chove bastante. É um temporal.

É a época de chuvas no Timor Leste. Despois de vários dias de sol, a chuva despencou sobre Díli. Quem sabe o calor diminui.

Fotos do Timor-Leste 2003-5

Fotos do Timor-Leste tiradas entre 2003 e 2005

Faz quase dez anos que cheguei aqui pela primeira vez. Fiquei por quase três anos. Desenvolvi um admiração especial por esta terra, por este povo. Foi bom ter voltado. Percebe-se que o país está melhorando, as coisas estão um pouco mais organizadas. A missão da ONU é grande, bem maior agora do que quando estive por aqui. Carros com o logotipo da “UN“ estão por toda parte.

Como sou mais compassivo, percebo a tensão no ar. A maioria das pessoas que estão à minha volta, internacionais, não sentem o que eu sinto. Voltei ao lugar onde trabalhei e percebi os timorenses mais tristes, mais tensos, mais nervosos, quase que infelizes.

Vim com grande expectativa, mas agora, depois de duas semanas, percebo que quase nada posso fazer. Ouvi o conselho de um jovem amigo, com quem trabalhei em 2003 – “Faça o seu trabalho e vá embora, não se envolva, é o melhor a fazer”. Palavras sabias, tenho que admitir no meu íntimo. Seja profissional, mantenha distância e a sanidade.

Fiquei realmente alegre de ver novamente a cidade, mudanças são percebidas já no aeroporto. Pelo caminho, até o hotel, novas construções; os táxis agora, são todos amarelos, ainda que muitos deles mal estejam em condições de trafegar. O cheiro do cigarro indonésio paira no ar e me remete às sensações do passado. As praias continuam lindas.

Aproveitei o fim de semana e fui mergulhar no lindo mar de águas azuis e transparentes. Corais e peixes multicoloridos estão por todo lado. Foi aqui que fiz meus cursos de mergulho e assim, aventurei-me pelas profundezas do mar do Timor.

Encontrei amigos, caminhei pelas ruas debaixo de uma calor imenso, comi a comida com misturas portuguesas e indonésias. É época de mangas e não perdi a oportunidade. Foi bom voltar.

Fotos: Paulo Siqueira

Ida e volta, São Paulo-Bissau-São Paulo

Wednesday, May 25th, 2011

Já faz algum tempo que não escrevo, um pouco por preguiça, um pouco por não ter o que dizer.

Depois de Bissau, voltei para casa, em São Paulo, passando novamente por Lisboa. Nem bem cheguei, fui para Florianópolis,  onde tenho a minha segunda casa, e fiquei por lá alguns dias. Aproveitei este tempo para pensar nos próximos projetos, não só os pessoais, mas também os profissionais, planejar o que fazer e o que priorizar.

Digito para Android

De volta à São Paulo, trabalhei num protótipo comercial de um sistema de informação para a Internet. Desenvolvi também um projeto web para a UNDP em Nova Iorque – Cooperação Sul-Sul. Aproveitando o meu tempo livre, desenvolvi uma versão do Digito (http://digi.to) para o sistema Android. Ele está disponível gratuitamente no Android Market e na SHOP4APPS da Motorola.

Mais viagens
Há duas semanas, fui convidado, pelo PNUD, para participar de um Workshop sobre Registro Eleitoral na Guiné-Bissau. Fui preparando minhas apresentações enquanto viajava, uma vez que tudo foi feito em cima da hora. Sai de São Paulo no sábado pela manhã, passei pelo Rio de Janeiro, mais um dia em Lisboa, até chegar em Bissau, na segunda-feira de manhã.

O que mais me chamou a atenção em Portugal foi o ceú azul e as cores da cidade.

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Lisboa

Cores de Portugal

Em Bissau, dormi algumas horas e fui direto para a Assembléia Nacional, onde aconteceu o Workshop, que teve a duração de três dias. Foi uma semana intensa e gratificamente. Gostei muito de trabalhar com nossos irmãos africanos de língua portuguesa. Participaram também delegações de Cabo Verde e Moçambique.
À noite, saíamos para jantar. Num deste jantares, compareceram o Ministro da Administração, o Presidente da Comissão Eleitoral e alguns colegas do Workshop. O jantar foi no meio da rua, no bairro antigo do Bissau. Gostei muito da simplicidade do lugar, da comida e, mais do que tudo, da conversa e da troca de experiências. Sentei-me ao lado do representante da Embaixada da Angola. Conversamos bastante e saimos de lá amigos.
Na abertura do Workshop, encontrei-me com o Embaixador brasileiro que convidou-em para almoçar. Assim, no dia seguinte, fui caminhando até residência do Embaixador, que fica ao lado da Assembleia Nacional. Almoço excelente, ótima recepção, e a oportunidade de encontrar uma missão brasileira do Ministério da Saúde que estava em Bissau.

Um pouco de turismo
Na sexta-feira, dia de voltar ao Brasil, fiz um passeio ao interior da Guiné-Bissau com o pessoal de Moçambique e do PNUD. Saímos em quatro pessoas, mais o motorista. Foi ótimo. Conversamos horas e horas, falando sobre as similaridades entre os nossos países, a cultura, o clima, a geografia, e sobre política, conflitos armados e as lutas de libertação da independência. Passamos por Mansôa, Bafafá e chegamos em Gabú, já proximo à fronteira com a Guiné.

Foi um privilégio ouvir as histórias narradas pelos próprios africanos, aquelas histórias que não estão registradas nos livros, aquelas que contam sobre as guerras tribais, sobre as disputas de poder, histórias recheadas de “magia negra” e macumbas.

Estatua

Estátua de Amílcar Cabral

Visitamos a cidade onde Amílcar Cabral nasceu. Amílcar Cabral, herói nacional e africano, liderou a luta para a Independência da Guiné e Cabo Verde e, no início da década de 1960, iniciou a luta armada contra o regime colonial. Cabral foi assassinado em 1973, em Conacri (Guiné), mas continuou como referência histórica e exemplo de líder na luta pela libertação.
Voltei a Bissau bem a tempo de pegar o vôo para Lisboa, e de lá, depois de dois dias de viagem, voltar ao Brasil.

Churrasco

Comendo um churrasco na rua

Preparando o Suco de Cajú

Bicicleta

Fotos: Paulo Siqueira

Arquipélago de Bolama-Bijagós, Paraíso na África

Tuesday, March 22nd, 2011
UNESCO, Reserva de Biosfera

UNESCO - Reserva de Biosfera

No fim de semana que passou viajei para o Arquipélago de Bolama-Bijagós, na Guiné-Bissau, que foi classificado pela UNESCO, em 1996, como Reserva de Biosfera.

Até então, não tinha saído de Bissau e estava bastante curioso sobre o que ia ver pela frente.

A viagem foi cheia de coincidências. Começou há alguns dias, quando não consegui ir porque não tinha lugar no hotel. Fiz então a reserva e consegui lugar para o fim de semana seguinte.

Tinha planejado ir de ferry, numa viagem de quatro horas. O Abbas, gerente do hotel me ligou e disse que teriam um barco mais rápido disponível. A viagem, apesar de mais cara, duraria apenas uma hora.

Avioneta

Paulo e a avioneta de seis lugares

Na sexta-feira, dia marcado para a partida, a dona do hotel, me ligou. Não vai mais ter o barco.

Preparei-me psicologicamente para as quatro horas no ferry. Bom, disse ela, mas vai ter uma “avioneta”, e você pode vir com ela, pagando o mesmo que o barco. Vibrei, a viagem seria de apenas 15 minutos.

No fim da tarde fui ao aeroporto esperar a “avioneta”. Esperei também pelos outros passageiros. Para a minha surpresa, apareceu um grupo de quatro brasileiros, dos quai eu já conhecia três. Foi uma festa.

Subimos no pequeno avião, e eu fui de copiloto. Foi interesante ver Bissau do alto, as ilhas do Arquipélago se aproximando.

O pouso

O pouso

O pouso foi numa pista que mais parecia uma mistura de pasto e uma estrada de terra. No nosso caminho, algumas cabras e pessoas que, rapidamente, abriram espaço para o pouso perfeito do pequeno avião. Parabéns ao nosso jovem piloto.

À caminho do barco

À caminho do barco

Chegamos à ilha de Bubaque. De lá, pegamos uma barco que nos aguardava e, depois de mais quinze minutos, chegamos ao paraíso. Ou melhor, ao Hotel Ponta Anchaca.

Fomos recebidos na praia pela simpática Solange, uma francesa que é proprietária do Hotel. A comida do restaurante do hotel, que fica num deck sobre o mar, é excelente, bem servida, simples, com bons pratos de peixes frescos e camarões. Estes mais pareciam lagostas, pelo tamanho e sabor.

O Hotel

O Hotel

Um Quarto do Hotel

Um Quarto do Hotel

O quartos são de muito bom gosto, e ficam na beira do mar. Espetacular!

Tomei muitos banhos de mar, dormi bastante, caminhei solitário pelas areias brancas da praia, vendo o sol se por atrás dos coqueiros.

Saudades da família!

Praias Lindas

Praias Lindas

Um único acidente. Uma amiga pisou numa arraia e foi picada no calcanhar. Depois do susto e alguma dor, tudo voltou ao normal.

O fim de semana passou voando e, no fim da tarde do domingo, também de “avioneta”, voltamos à realidade de Bissau.

Crianças em Bubaque

Crianças em Bubaque

A Canoa

A Canoa

Crianças na Pista de Pouso

Crianças na Pista de Pouso

Fotos: Paulo Siqueira

Música da África

Thursday, January 13th, 2011

Florianópolis, SC – Depois do meu último trabalho na Nigéria, resolvi descansar um pouco junto com a família. Estou em “Floripa” curtindo a praia e sol, e também bastante calor. Descansar, quando se trabalha por projeto, é muito relativo. Na verdade, a gente não descansa nunca, pois está sempre antenado. Recebi uma proposta para uma rápida missão no Iraque, mas não aceitei. O meu plano é ficar por aqui até o fim de janeiro. Também estou trabalhando numa proposta para um trabalho em em São Paulo, quem quiser saber mais, dê uma olhada no site da Exadigital.

Aproveitando o tempo “livre”, coloquei no YouTube dois pequenos vídeos que fiz na África, no ano passado. Espero que gostem.
O primeiro foi quando visitei  o Lago Malawi, em abril do ano passado; dê uma olhada nas fotos e texto do blog aqui.

Música – Lago Malawi

O segundo eu fiz no estacionamento do hotel, em Abuja, na Nigéria, durante um evento local, em novembro do ano passado. As postagens da Nigéria podem ser lidas aqui.

Música e dança na Nigéria

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Friday, November 26th, 2010

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Honorable Chairman Professor Attahiru Jega

Reunião com Honorable Chairman Professor Attahiru Jega e Paulo Siqueira

Depois de três meses na África, vivendo em Abuja, na Nigéria, cheguei em São Paulo.  Foram três meses cheios de desafios e novidades, normal quando se chega a um novo lugar para trabalhar e viver.

África é  um lugar que eu queria muito conhecer. Este ano tive a possibilidade de trabalhar no Malawi e na Nigéria. São dois países distintos em praticamente tudo, clima, riqueza, e população.  Gostei mais do Malawi, que por alguma razão não muito clara para mim, me fez lembrar mais no Brasil – empatia!

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Reunião com as equipes do INEC e do PNUD

Minha última atividade profissional em Abuja foi uma reunião com o Honorable Chairman Professor Attahiru Jega, que comanda a poderosa Comissão Eleitoral, o “INEC – Independent Electoral Commission”.
Foi uma reunião muito interessante onde tive a oportunidade de relatar o meu trabalho e entregar o meu relatório final. Missão cumprida, ufa!

No dia seguinte peguei o avião para Amsterdam, e de lá, outro para São Paulo. Passei três dias em Amsterdam. O clima já estava completamente diferente de quando passei por lá, indo para a Nigéria. Tempo frio, amanhecendo tarde e anoitecendo cedo – dias curtos, mas o suficiente para eu comprar alguns presentes para as crianças e passear no “The Rijksmuseum”, um museu que eu gosto muito.
Museu  e Gnomos
Tem um quadro em especial, que eu já vi, seguramente, algumas dezenas de vezes. Tem um detalhe que me chama a atenção, e sempre vou lá para conferir, ver se é verdade, se existe mesmo. É um gnomo escondido numa floresta. Não sou de ver gnomos, aliás, este é o primeiro e único que vi, mas ele está lá. Quem tiver paciência também vai ver. O artista se chama Jan Both, e o quadro é o “Italian Landscape with Draughtsman”. Além do meu quadro favorito, foi interessante ver  a exposição especial “Rembrandt & Jan Six. An Amsterdam friendship”.

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman"

Jan Both - “Italian Landscape with Draughtsman" e o gnomo

Bom, Amsterdam resumiu-se a passeios, caminhadas, muito frio, queijos, cafés, chás, compras, e o mais lindo de tudo, observar as pessoas e a cidade, sempre cheia de turistas de todas a partes do mundo, uma cidade com uma população mesclada e colorida e com uma língua difícil de entender.

Fotos: Paulo Siqueira

Hajj, táxis, bombas e custo de vida em Abuja

Tuesday, November 16th, 2010
Nigeriano e Muçulmano

Nigeriano e Muçulmano

Hajj ou Hadj

Hoje é feriado na Nigéria. É um feriado religioso muçulmano, o Hajj, que celebra a peregrinação anual à cidade de Meca, na Arábia Saudita.

Vila Turística

Vila Turística

Depois do sofrimento da malária, aproveitei o feriado e fui fazer uma compras na vila turística, que fica a bem perto do hotel. Fui caminhando, mas o calor e o sol estavam de matar. Quase me arrempendi, mas foi bem interessante.

Nigeriano na Vila Turística

Nigeriano na Vila Turística

Lagarto

Lagarto - "personagem" constante

Trabalho
Faz três meses que estou Abuja. O trabalho é complicado, mas até agora estou satisfeito com os resultados.
É uma ansiedade que fica quando você tem apenas três meses pela frente e muita coisa para fazer.
Estou trabalhando com a área de registro de eleitores, e a Nigéria é uma país imenso, com uma população de 150 milhões de pessoas e mais de 250 grupos étnicos.
O número de pessoas que vão se registrar é estimado em mais de 70 milhões. O registro está começando do zero, então é uma tarefa gigantesca.
Problemas sérios por aqui: AIDS, pobreza, energia, corrupção, conflitos étnicos e regionais, drogas e  os demais problemas que todo país pobre tem.

Bombas
O assunto aqui tem sido as bombas que explodiram no Dia da Independência, em primeiro de outubro. Nas explosões, 12 pessoas morreram.
Fiquei sabendo que um helicóptero que sobrevoava a região filmou um suspeito que estacionou o carro bomba. Esta pessoa pegou um táxi. Os serviços de segurança identificaram o motorista do táxi. Ele deixou o rapaz num hotel (foi onde fiquei quando cheguei aqui). O rapaz foi preso junto com outras pessoas, todos, segundo a imprensa local, aparentemente ligados a um grupo político da região petrolífera, o “The Movement For The Emancipation Of The Niger Delta (MEND)”.

Custo de vida
A vida em Abuja é bem cara e contrasta bastante coma pobreza do país.
O dinheiro aqui se chama naira. Um dólar vale 150 nairas, ou seja, um real mais ou menos 90 nairas.
Aqui  vão algumas informações:

  • Táxi  popular: 300-400 nairas (sempre negociados a cada corrida)
  • Táxi do hotel: 1.500 nairas
  • Entrada de cinema: 1.500 nairas
  • Pipoca + refrigerante: 1.100 nairas
  • Livro (pocket-book): 1.800 nairas
  • Refeição no restaurante local: 1.800 nairas
  • Refeição no hotel: de 4.000 a 6.000 nairas
  • Café da manhã no hotel: 3.500 nairas
  • Internet (USB): 10 mil nairas por 30 dias ou 5GB de dados.
  • Jornal: 150 nairas
  • Diária do hotel: um absurdo!

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Táxis Verdes

Um capítulo especial – trânsito e táxis.

Os táxis me lembram os táxis do Timor Leste, tem a mesma qualidade, ou seja, todos bem detonados.
Acho quer o maior risco que tenho trabalhando aqui é quando ando de táxi. Sempre sento no banco traseiro e me preparo para o pior. Até o momento tudo certo e nenhum acidente, só alguns sustos.
A maioria dos táxis é pintada de verde e eles estão por todo lado.
Quando cheguei não acreditei na bagunça do trânsito, e mais que a bagunça, não acreditei na barulheira.
Era buzina para todo lado sem parar um segundo. Depois fui me acostumando.
Passei a entender melhor e descobri que tudo não passa de um código de trânsito não escrito.
Acho que a comunicação aqui evoluiu do som dos tambores para os som das buzinas dos carros.
Percebi que os motoristas se comunicam a todo instante através de buzinadas. Buzinam para os amigos, para os inimigos, para o carro andando, para o carro parado, para os guardas de trânsito, para os potenciais passageiros, para os vendedores de jornais, para o sinal de trânsito – aberto ou fechado -, para os vendedores de água nas esquinas, enfim, buzinam para tudo e para todos. É um buzinaço sem fim.
Do meu quarto no hotel cheguei a ficar estressado de tanto barulho que vinha do estacionamento. Agora, depois das bombas, os táxis não podem mais entrar no hotel.
A vida ficou mais silenciosa por aqui. Ainda bem!

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Dança Folclórica no Estacionamento do Hotel

Fotos: Paulo Siqueira

Malária Nunca Mais!

Sunday, November 7th, 2010
Mosquito da Malária

Mosquito da Malária

Há exatos nove dias, comecei a sentir os efeitos da malária. Tinha acabado de voltar do ginásio onde tinha feito exercício. Ainda me lembro que naquele dia, um sábado, eu estava me sentindo muito bem e ainda dei uma puxada no treino.
Cheguei no quarto do hotel, tomei um bom banho de chuveiro, e antes de almoçar, resolvi dar uma olhada na Internet. Coisa de meia hora. Quando levantei da poltrona, senti uma tontura e dor no corpo todo. Achei que tinha exagerado no exercício e era melhor comer logo alguma coisa. Daí para frente, só piorei. Comecei a ter febre, sentir calafrios, dores no estômago.
A noite foi complicada, mas nem tanto. Passei um domingo bem mole, achando que tinha pegado alguma virose. Na segunda-feira pela manhã, não consegui mais tomar o café da manhã.  Fui na farmácia que fica dentro da área do hotel – “lá eles devem saber o que eu tenho, deve ser alguma coisa comum aqui”, pensei. Não precisou nem de um minuto de conversa para descobrir que tinha malária.
Comprei um remédio apropriado, à base de artemisinina, extraída de uma planta chinesa. Voltei para o quarto, para a cama, de onde quase não sai mais durante quatro dias.
Chamei o médico do hotel, um nigeriano, que confirmou o diagnóstico, não pediu exames nem nada. O interessante é que, pela postura e modo de falar, ele parecia mais um lorde inglês, ou uma ator shakesperiano. Recebi uma batelada de remédios e um antibiótico. Foi a última vez que o ví, espero!
Tenho que dizer que o pessoal do hotel foi muito bom comigo. Passavam pelo quarto várias vezes por dia para saber se precisa de alguma coisa. Teve um que veio até dar uma rezada.
Esgotei minha roupas, cuecas, camisetas e pijamas. Tudo ficou encharcado, molhado de suor. Na cama,  ficava de dia de uma lado, e à noite do outro, era muito suor. Sentia tudo encharcado. Tive de mandar a roupa para a lavanderia, situação emergencial. No final, fiquei só de cueca e nem me importava mais com quem entrava no quarto.
Depois do terceiro dia, tomando as medicações, percebi que comecei a melhorar. Hoje, nove dias depois, domingo, estou bem, mas estou dormindo umas 12 horas por dia, pelo menos.
Mapa da Malária no Mundo

Mapa da Malária no Mundo

Alguma informação sobre a Malária

A malária é transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos – fêmeas  sempre fatais!
O texto abaixo que extrai da Wikipidia mostra exatamente o que senti (http://pt.wikipedia.org/wiki/Malária).
“Estas crises, mais frequentes ao cair da tarde, iniciam-se com subida da temperatura até 39-40 °C. São seguidas de palidez da pele e tremores violentos durante cerca de 15 minutos a uma hora. Depois cessam os tremores e seguem-se duas a seis horas de febre a 41 °C, terminando em vermelhidão da pele e suores abundantes.”
Uma noite, olhei meu pé e parecia que via o sangue passando sob a pele, de tão transparente e vermelha. Confesso que naquela noite fiquei assustado.
Durante este tempo todo fiquei pensando sobre o que é a malária, que a gente sempre ouve muito e pouco sabe. Fiquei pensando como deve ser difícil para uma família sem acesso a médico e a medicamentos, ver os filhos doentes, sofrendo, podendo até morrer.
Abaixo mais algumas informações que extraí do site “Malaria Foundation International”.
  • Malária é a causa estimada de 300-500 milhões de casos clínicos, com um milhão de mortes por ano.
  • A cada 30 segundos, uma criança morre por causa da malária.
  • Nos hospitais africanos, 60% das internações são causadas pela malária.
Não faça prevenção por conta própria. Em caso de suspeita, procure atendimento médico!

Malaria No More

Malaria No More

Malária, espero, nunca mais!

Nigéria 50 Anos. Meu Pai, 87 Anos.

Friday, October 1st, 2010

Em tempo.
Hoje, enquanto escrevia esta postagem, ouviu um grande, grande estrondo. Pensei comigo mesmo, “ainda bem que não estou mais no Paquistão, se fosse lá, com certeza era um ataque suicida”. Logo depois outro grande estrondo, e pensei “devem ser tiros de canhão porque eles estão comemorando a independência”. Segui escrevendo e publiquei a postagem.

Poucos minutos atrás, assistino a CNN, fiquei sabendo que dois carros-bomba explodiram hoje aqui em Abuja, Nigéria, matando pelo menos 7 pessoas. Triste dia da independência. Apesar do susto atrasado, tudo tranquilo.

Bandeira da Nigéria

Bandeira da Nigéria

Hoje, a Nigéria faz 50 anos. Parabéns à esta jovem democracia. Com sua multiplicidade racial, tribal, religiosa e linguística, a Nigéria tem um longo caminho pela frente até conseguir estabilidade econômica e social.
Estou em Abuja, a capital. Faz um mês que cheguei aqui e ainda tenho bastante dificuldade de entender as relações sociais. Acho que os nigerianos também. Abuja está em festa e espero que o tempo ajude. Nuvens negras no horizonte, literalmente.
Mesquita em Abuja

Mesquita em Abuja

Ontem, meu pai fez 87 anos.  Infelizmente comemorou seu aniversário no hospital, em São Paulo, mas espero que logo volte para casa.
Quando a Nigéria conseguiu sua independência dos Britânicos, meu pai tinha 37 anos, e eu, 4 anos.
Falei com meu pai rapidamente por telefone, utilizando o Skype. Coisa inimaginável 50 anos atrás.
Meu pai é radio-amador e eu, desde de pequeno, ficava grudado nele, acompanhando suas conversas Brasil afora. Quando a gente conseguia falar com alguma país da América do Sul ou da África, era a glória. Ele utilizava um bom portunhol. No seu “shack”, mapas e cartões do mundo todo. Eu ficava fascinado, imaginando como seriam os lugares e as pessoas com quem ele conversava.
Coma evolução da tecnologia, os contatos foram aumentando e, consequentemente os países.
Meu pai não fala inglês, mas ele tinha uma cola esperta, com os diálogos básicos necessário para o contato por rádio. Quando a conversa saia do roteiro, a gente terminava rapidamente o contato e ríamos às gargalhadas, sempre um pouco encabulados por não entender a conversa. Passei horas e horas com ele, e nos divertíamos muito mesmo. Quantas e quantas vezes não subi no telhado da casa para judar a montar ou a calibrar uma antena. Bons tempos.
Pouco a pouco, esta atividade foi ficando de lado e hoje está morta.  Mas ainda me lembro das muitas pessoas que ele ajudou durante sua vida, não só como rádio-amador, quando não existia Internet e o uso do telefone era precário.
Tive uma infância feliz com ele, saíamos do interior de Minas Gerais para passar as férias em Ubatuda. A família toda, seis pessoas, algumas vezes carregando a empregada  ou algum amigo, todos viajando na Kombi do meu pai. Era aventura atrás de aventura.
Foi em parte, devido à sua influência, que resolvi conhecer o mundo.
Hoje, aqui em Abuja, junto com os nigerianos, celebro o aniversário, não só da independência do país, mas de meu pai, um lutador e vencedor. Saúde e paz, merecidas.
Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Mesquita, e ao fundo a Igreja cristã, em Abuja.

Fotos: Paulo Siqueira